Dois diamantes "surripiados": depois do dérbi, as histórias de Gedson e Jovane

Dois diamantes "surripiados": depois do dérbi, as histórias de Gedson e Jovane

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Rodrigo Cortez

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Gedson foi titular no dérbi de sábado (1-1 na Luz), Jovane não saiu do banco de suplentes, mas tem sido arma secreta de Peseiro.

As duas principais revelações desta época nos plantéis de Benfica e Sporting são produtos das respetivas escolas de formação, mas ao mesmo tempo têm em comum uma particularidade pouco habitual: ambos foram "surripiados" a outro dos três grandes do futebol luso.

Falamos de Gedson e de Jovane, elementos que têm estado em grande destaque na temporada e que são também das principais fontes de esperança para os adeptos de águias e leões.

O Benfica foi mais arguto do que o Sporting na corrida por Gedson, que tinha 11 anos e jogava no SC Frielas, enquanto Jovane, proveniente de Cabo Verde, chegou a Portugal aos 14 anos para jogar no FC Porto, mas acabou no viveiro leonino de Alcochete.

Quem conta a O JOGO a história do diamante (agora) sportinguista é o cabo-verdiano Emílio Rocha, mais conhecido por Dino. "Após um jogo no Torneio da CPLP, em Luanda, apareceu um português e chamou o Jovane à parte. Esteve ali a falar com ele e lá o convenceu. Eu é que não gostei nada disso, porque ele era menor e as coisas não podiam ser assim. Mas esse empresário lá o convenceu a ir para Portugal e o primeiro clube onde ele esteve foi o FC Porto. Esteve lá em testes, em 2014, e só depois é que o pai dele decidiu levá-lo para o Sporting", explica o agora treinador nas camadas de formação da seleção de Cabo Verde.

Em relação a Gedson foi ao contrário. O Sporting é que perdeu a corrida, embora para um outro rival, conforme recorda o presidente do SC Frielas, Paulo Sérgio. "Quem reparou nele primeiro foi o Zeca Primavera, que tinha sido aqui treinador. Ele é que viu aqui o Gedson, referenciou o miúdo e depois veio cá com mais duas pessoas do Sporting para falar comigo. Mas, antes disso, já o Sporting tinha ido falar com a família dele. Não procederam muito bem connosco, porque foram ter com os pais a dizerem que o queriam levar no fim da época, depois de acabar o contrato. A mãe do Gedson é que lhes disse: "Quem trata dos assuntos do meu filho no futebol é o Sport Clube Frielas". E só depois é que eles vieram falar connosco. Já o Benfica foi ao contrário: veio primeiro falar connosco e só depois é que foi ter com a família", explica o dirigente do clube do concelho de Loures, a cerca de 10 km da capital.

E as águias acabariam por levar a melhor: "A reunião com as pessoas do Benfica durou quase duas horas porque o miúdo não queria sair nem por nada. E a mãe dizia: "Ele não quer e eu também não quero." Depois, eu é que disse ao Gedson: "Tu vais lá treinar uma ou duas vezes e se não gostares voltas para cá e continuas aqui no Frielas à mesma. Vais lá um mês, não gostas, voltas. Quando te fartares daquilo, vens para cá que a gente recebe-te". E ele respondeu: "Ah, está bem, então vou lá experimentar para ver se gosto." E pronto. Ele lá foi, ia aos treinos do Benfica, mas mal acabava, vinha logo para cá outra vez. Vinha ter com os amigos e ficava ali a jogar à bola com eles, num rinque que nós aqui temos. No Benfica, era o Nené que o ia acompanhando e, durante seis meses, ligava para mim todas as semanas a dizer como é que ele se estava a comportar", lembra Paulo Sérgio.