Rui Fontes: "Não vamos vender, nem nenhum de nós vai trair o Marítimo"

Rui Fontes: "Não vamos vender, nem nenhum de nós vai trair o Marítimo"
Carolina Rodrigues

Tópicos

O antigo presidente Rui Fontes lidera a Lista A, decidido a, 24 anos depois, cumprir mais um mandato para dar "novo rumo e outra credibilidade" ao emblema dos Barreiros

Para além de querer reforçar a ligação aos sócios e adeptos, o projeto do antigo dirigente aponta para uma SAD com uma liderança diferente, com estabilidade e a luta pela Europa no horizonte. Antecessor de Carlos Pereira na presidência, Rui Fontes regressar ao cargo. Encabeça a Lista A para iniciar um novo ciclo.

O que o motiva a voltar ao Marítimo, 24 anos depois?

-O facto de haver um descontentamento generalizado na massa associativa com a atual Direção. O Marítimo está nitidamente doente e com um líder com um discurso gasto, cansado, e que as pessoas já não ouvem. É preciso fechar um ciclo e encontrar um novo rumo.

Porquê só um mandato?

-Basta um. Para virar a página, quatro anos são suficientes. Antes das eleições, o Marítimo estava a definhar, mas, com a criação desta lista, toda a gente ficou empolgada. Também considero que estes quatro anos, mais do que um compromisso do Marítimo, serão um compromisso público para com a Região Autónoma da Madeira, porque a ilha merece um grande clube na I Liga.

Que análise faz à liderança de Carlos Pereira?

-É evidente que um presidente que está há 24 anos num clube tem que fazer obra. No início, esteve bem e também tem a parte das infraestruturas e do património, que fez crescer. Mas, ao mesmo tempo que construiu um património físico, destruiu o património humano e deixou a identidade do clube desvanecer-se. Também ao nível desportivo, o Marítimo perdeu credibilidade. A forma de gerir, em termos desportivos, feita por um só homem, acabou num homem só.

Como pretende reconstruir o património humano?

-Pelo discurso e forma de atuar, dando-lhes incentivos e demonstrando que não estão esquecidos. É preciso manter a alma viva deste clube.

Não há claque legalizada. É uma medida a tomar?

-Vou fazer de tudo. Aprecio muito as claques, são exemplares e os seus elementos são pacíficos e têm de ser acarinhados pelo clube.

Vai investir mais no futebol e num projeto europeu?

-Claro, os objetivos são estar entre os seis, sete maiores do futebol nacional e, a partir daí, aspirar a voltar às competições europeias.

Com o Marítimo eliminado das taças e numa situação frágil na Liga Bwin, a equipa técnica tem condições para continuar?

-O adepto diz logo mal e eu não posso agir como adepto, mas como alguém responsável pelo clube. Como tal, não posso avaliar alguém com quem nunca trabalhei. Se vencer, vamos todos ter uma reunião, analisar, perceber a razão desta situação, pois, muitas vezes, os resultados de campo também estão relacionados com a estrutura que é deficiente e não dá o apoio necessário à equipa.

"Há um estudo para saber se é viável um fundo para o clube e não para a SAD

Se for eleito, Rui Fontes vai entregar a liderança da SAD ao antigo capitão, João Luís, que será acompanhado por Luís Olim e Nélson Gouveia. "Vão fazer a diferença em tudo. São profissionais, conhecem bem este meio e dão-me tranquilidade para cumprir os objetivos", assegurou, e tratou de sublinhar que que não vai entregar a "alma maritimista" a fundos de investimento: "Não vamos vender o Marítimo, nem nenhum de nós vai trair o clube. Apenas há um estudo para saber se é viável um fundo para o clube e não para a SAD".