"Não vale a pena atirar poeira para os olhos das pessoas e dizer que está tudo bem"

"Não vale a pena atirar poeira para os olhos das pessoas e dizer que está tudo bem"
Redação com Lusa

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Declarações de João Henriques, que se estreou no comando do Marítimo, depois da derrota por 2-1 na receção ao Gil Vicente.

Falta de intensidade: "Para se jogar a este nível temos de ter um andamento diferente, daquele que tivemos nos 20, 25 minutos iniciais, só que a equipa não aguenta esse ritmo e ficou visível a todos. A sensação que temos, e não estou com isto a dizer que há responsabilidade de quem esteve antes, é que para a nossa forma de jogar que é intensa e agressiva para ganhar jogos, os jogadores não estão preparados. Eles [jogadores] foram bravos e quiseram muito. Ninguém pode apontar o dedo a nenhum jogador. Com os que entraram tentámos ajudar, apesar de não termos muitas alternativas, porque não tínhamos alas para jogar nos corredores, não tínhamos jogadores com as características que precisávamos para continuar a ser uma equipa agressiva, mas fomos tentando dar frescura à equipa, mas a sensação que eu tive é que quem entrou na segunda parte estava pronto para ser substituído no fim. Na minha conceção, em alto rendimento precisamos de outro andamento que não temos. Foi isso que disse na roda no final do jogo e pedi-lhes para levantarem a cabeça, porque quem faz aquilo que pode e sabe com toda a honestidade, não pode baixar a cabeça. Não podemos jogar 25 minutos, o jogo tem 90. Vamos dar essa condição para que eles estejam preparados para jogar futebol de alto nível os 90 minutos. Felizmente vamos ter tempo para o fazer, porque em breve vai haver uma paragem para as seleções e para o campeonato do mundo, o que vai fazer com que nós tenhamos tempo para recuperar tudo aquilo que perdemos nesta altura."

Ninguém desiste: "Em 84 pontos em disputa, temos zero, pés bem assentes no chão. Ninguém vai atirar a toalha ao chão, longe disso."

Sobre o próximo jogo, com o Benfica: "É mais um adversário deste campeonato, em que temos de estar no nosso melhor. Vamos tentar passar dos 25 minutos para mais qualquer coisa. O que não quer dizer que vamos perder o jogo. Hoje, além de nos faltarem as pernas, faltou-nos também uma pontinha de felicidade, porque a equipa criou várias oportunidades, teve uma bola no poste e umas boas defesas do guarda-redes adversário."

Pedido de apoio aos adeptos: "Notou-se uma equipa do Gil Vicente mais solta do que a do Marítimo. Foi evidente para toda a gente. Não vale a pena estarmos com paninhos quentes e a atirar poeira para os olhos das pessoas a dizer que está tudo bem. Não, não está tudo bem. Vamos é dizer aos maritimistas para nos apoiarem incondicionalmente, como estiveram hoje a aplaudir os jogadores no fim, porque reconheceram que eles deram tudo."

Dificuldades: "O Marítimo tem 10 jogadores lesionados, vão recuperar entretanto. São importantes para a equipa, porque traziam já há vários anos uma segurança em determinados setores, jogadores experientes. Tivemos jogadores dentro de campo no final a chorar, não só pela derrota, mas pelo que quiseram fazer e não conseguiram, e isso é frustrante. É isso que vamos inverter. Quando chegarmos em 2023 a equipa vai estar a voar. A voar para jogar à minha maneira".