Carlos Pereira: "FC Porto, Benfica e Sporting têm aquela pujança por terem dois presidentes?"

Carlos Pereira (à esquerda) é o atual presidente do Marítimo

 foto Tony Dias/Global Imagens

ENTREVISTA >> Pela primeira vez, Carlos Pereira terá um adversário nas eleições e, apesar de se mostrar muito confiante, garante que está preparado para qualquer resultado.

O que o motivou para esta recandidatura?

-Aquilo que sempre motivou: a responsabilidade, fazer mais e melhor e também concluir o que ainda não está concluído. O Marítimo tem processos pendentes e entendo que, com esta Direção, conhecedora de causa, será mais fácil defendê-los, sem prejudicar o clube. Para além disso, ainda há obra por concluir e quero terminar aquilo que comecei, e também melhorar os resultados desportivos, que nas últimas três temporadas não foram tão bons como desejávamos. Sobretudo, como é o meu último mandato, quero deixar o clube estruturado para que os nossos sucessores não sintam o que nós sentimos no passado.

Pela primeira vez, em 24 anos, tem um adversário. Como se sente?

-Só posso aplaudir. Até digo que é algo que me obriga a ser melhor, a refletir sobre o que correu menos bem. No entanto, a lista contrária não trouxe nada de novo ao nível de ideias, mas sim um pouco de vitimização e um populismo barato para mexer com a sensibilidade das pessoas.

Concorda que a sua liderança fica marcada por várias polémicas? Sejam casos em tribunal, divergências com ex-jogadores e treinadores...

-Não, não. Essas polémicas só podem ser vistas como a defesa intransigente dos direitos do Marítimo. Tenho recebido mensagens de ex-treinadores e jogadores a dar apoio. Sobre as situações de tribunais, o resultado está à vista, são muitos mais [os desfechos] positivos do que negativos. No meu entender, o clube tem sempre de ser defendido até à última consequência, mas como sou eu que, normalmente, dou o rosto, é normal que fique associado a essas situações.

A Lista A afirma que, caso vença, pedirá, urgentemente, uma auditoria. Isso preocupa-o?

-Que venha, não me preocupa absolutamente nada. As contas do Marítimo são de referência e de tal forma transparentes, aprovadas e muito descortinadas por várias instituições, que não tenho receio de nada.

Em termos desportivos, o Marítimo tem tido resultados aquém das expectativas. Vai investir mais e tentar recolocar o Marítimo na luta pelos lugares europeus?

-Vamos fazer um maior investimento no futebol, mas não posso prometer isso dos lugares europeus. Isso é vender ilusões, porque hoje o futebol está de tal forma diferente - e, pontualmente, também surgem situações inesperadas para qualquer equipa - que não se pode prometer nada.

O Marítimo está eliminado das taças e tem uma vitória em dez jogos. A equipa técnica tem condições para continuar?

-Já conversámos, a seguir ao jogo com o Varzim, e vamos voltar a conversar e a analisar tudo. Se não tiver condições, não tem e, certamente, irei fazer alterações. Tudo a seu tempo e nada de precipitações.

Como vê o facto de a Lista A pretender ter um presidente no clube e outro na SAD?

-Muito triste. Desconheço uma sociedade desportiva que tenha dois presidentes e tenha resultado. Veja-se o que aconteceu a vários clu-bes, como o Belenenses, o Boavista, o Aves... Acha que o FC Porto, Benfica e Sporting têm aquela pujança toda por terem dois presidentes? Não é exequível, a não ser que um deles queira ser a rainha de Inglaterra.

"Estou confiante, mas preparado para tudo"

Apesar de estar pela primeira a vez a enfrentar um adversário, Carlos Pereira não teme a derrota, enfrentando este processo eleitoral "sem receios": "Estou confiante, mas preparado para tudo". "Não sou funcionário, mas sim amante do clube. Se as pessoas entenderem que não devo continuar, não vou deixar de ser do Marítimo e de pagar quotas, como o outro candidato", frisou, certo de que os sócios terão "discernimento" para separar as recentes memórias desportivas do trabalho de quase duas décadas e meia. "Espero que não se misture um jogo com 24 anos de liderança. As pessoas vão saber analisar da melhor maneira todos os momentos".