"Ia rematar à baliza antes de os seniores treinarem e colocava a bola onde queria"

"Ia rematar à baliza antes de os seniores treinarem e colocava a bola onde queria"

Pedro Gonçalves é o único jogador que esteve presente em todos os jogos efetuados esta época. O agente Jorge Pires era vizinho do médio e conhece-o desde miúdo.

Faltam poucos para o campeonato voltar e no Famalicão há apenas um jogador que esteve em campo nos 31 jogos disputados esta temporada. Trata-se de Pedro Gonçalves, o médio de 21 anos que foi contratado ao Wolverhampton e que está a cumprir a melhor época da carreira, com seis golos e quatro assistências.

"Pote", como é conhecido, nasceu em Vidago, vizinho de Jorge Pires, o empresário que o passou a agenciar por volta dos dez anos. "Eu já tinha o Josué e o Diogo Viana, mas o Pedro Gonçalves foi dos meus primeiros cinco jogadores", recorda. A ligação é praticamente familiar. "O meu pai e o pai do Pedro eram amigos e diretores do Vidago. O pai do Pedro era bastante conhecido, por ser bombeiro, mas faleceu quando a mãe estava grávida", explica Jorge Pires.

Depois de ter entrado para o futebol pela porta do Vidago, Pedro Gonçalves mudou-se, aos dez anos, para as escolas do Chaves, mas acabou por viver boa parte da infância no campo João de Oliveira, casa do Vidago, visto que a mãe e o pai adotivo trabalharam na rouparia do clube. "O Pedro ia rematar à baliza antes de os seniores treinarem e colocava a bola onde queria. Em dez, metia oito na trave. Era muito bom aluno, com excelentes notas, e via-o com uma bola debaixo do braço sempre que passava pela minha casa", conta o agente.

No Chaves, em 2008/09, fez 72 golos, um recorde num só ano que ainda hoje permanece nos registos dos transmontanos. "Ele apelidou-se a si próprio de Potinho. Nunca foi muito alto e era bastante entroncado, só que em campo corria mais do que os outros", refere. "Percebia-se no Vidago que ele já era um jogador diferente e o Chaves foi a confirmação", acrescenta Jorge Pires que, contudo, viu realmente o talento que tinha em mãos quando Pedro Gonçalves foi fazer testes ao Braga em 2010. "Nesse dia, o Pedro jogou contra miúdos do escalão acima e só fez os últimos cinco minutos do treino, mas teve tempo para sacar uma jogada à futsal, em que picou a bola por cima do guarda-redes. O Luís Martins, que era coordenador do Braga, disse naquele momento que o Pedro ia ser jogador de I Liga se não se perdesse", narra.

E até onde pode ir Pedro Gonçalves? Jorge Pires é suspeito para falar, mas perspetiva-lhe o topo. "O Pedro nunca quebrou com as mudanças de clube e pode ir até onde ele quiser. Mostrou qualidade para jogar em qualquer equipa do mundo", elogia. No entanto, sair do Famalicão não é uma "prioridade". "O Pedro adora o Famalicão, diz que tem tempo e não está minimamente preocupado em sair. Há umas semanas falou-se do Galatasaray e ele disse logo que não era um objetivo para a carreira. O Pedro só sairá mediante algo diferente para ambas as partes".