"Não dei ao FC Porto tudo o que queria"

"Não dei ao FC Porto tudo o que queria"
Carlos Pereira Santos

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Começou a carreira técnica no Águeda, onde terminou a de futebolista. Treinou em todas as divisões até chegar ao FC Porto, na B e na principal

Luís Castro é daquelas pessoas que pode dizer, sem estar a usar apenas um chavão, que subiu na carreira a pulso. Treinou em todas as divisões, começou no modesto Águeda, onde terminou a carreira de futebolista, e chegou até à equipa principal do FC Porto, na época 2013/14. "Aconteceu de forma inesperada e repentina, até porque tinha voltado ao treino há sete meses. Tinha estado ausente do treino durante sete anos, aceitei um desafio do FC Porto para ser diretor técnico da formação durante aquele tempo todo e depois também fui surpreendido com uma proposta do clube, nas pessoas do sr. Pinto da Costa e do sr. Antero Henrique, para ser treinador da equipa B - foi de surpresa em surpresa. Estava a fazer um ano fantástico na B e com muito prazer a treinar, estava num bom momento da minha vida como treinador. Era algo de que não estava à espera depois de ter estado sete anos como diretor técnico; imaginava-me numa missão diferente", conta Luís Castro, que, ainda assim, encarou tudo com muita naturalidade.

"As coisas aconteceram com a saída do Paulo Fonseca. A minha missão como treinador da equipa principal estava limitada até ao final da época e cumpri-a. Houve momentos algo conturbados, mas acabei por ter experiências interessantes sem ganhar títulos. Nápoles e Sevilha, na Liga Europa, por exemplo... bem, o afastamento em Sevilha foi muito duro. Fomos para lá sem o Fernando, sem o Jackson [Martínez], sem o Helton e sem o Mangala. Afastámos na altura o Nápoles do Benítez, ganhámos todos os jogos em casa, foi uma experiência interessante, embora não tivesse dado ao clube tudo aquilo que queria, porque quero dar sempre mais."

Luís Castro ficou com boas recordações do FC Porto, mas a vida profissional continuou... "Passamos nas instituições e fechamos ciclos quando saímos delas, fazemos muitas amizades. Respeito a instituição como a instituição FC Porto sempre me respeitou, e é isso que vai continuar a acontecer, mas, enquanto profissional, tenho de seguir com a minha vida. É um momento da minha vida que não posso esquecer mais."

E o treinador não tem dúvidas: "É mais fácil trabalhar nos grandes. A vida num clube médio é muito difícil. Durante um mês, há três semanas em que se anda maldisposto - perde-se muito mais vezes. Num grande, os ciclos de vitória são muito mais largos. É mais desafiante."