Trocou o Barcelona pelo Braga e diz: "Fiquei impressionado por terem ido falar comigo"

Trocou o Barcelona pelo Braga e diz: "Fiquei impressionado por terem ido falar comigo"
Pedro Rocha

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ENTREVISTA (Parte 1) - Saltar da aristocracia do Barcelona, onde passava despercebido, para a classe operária do Braga, decidida a ser grande, soou a desafio irresistível. Abel Ruiz acredita que irá vencer, justificando o investimento elevado.

A bomba que o Braga assegurou em janeiro expressa-se em castelhano e eclodiu pela primeira vez contra o Rangers, em Glasgow, não deixando ninguém indiferente. O avançado Abel Ruiz só queria "ser feliz", como contou numa entrevista, em exclusivo, a O JOGO.

Quando surgiu o convite do Braga, pensou em algum compatriota que tivesse vingado em Portugal?

-Pensei no exemplo do Grimaldo, que joga em Portugal há quase cinco épocas. Levei, porém, mais em conta o que ouvi numa conversa com António Salvador e Paulo Meneses. Agradou-me muito esta oportunidade e por isso aceitei.

Que projeto lhe apresentaram o presidente e o coordenador do scouting?

-Senti que o Braga é uma grande família. Falaram-me do clube e da cidade e fiquei impressionado por se terem deslocado a Barcelona só para falar comigo. Percebi que o clube quer continuar a crescer e ganhar o máximo possível de jogos.

Apesar de ter tido um bom começo, marcando um golo ao Rangers na estreia, não voltou a ser titular. Receia fracassar, como se verificou com Raúl de Tomás no Benfica?

-Acredito muito em mim e trabalho todos os dias com o claro objetivo de evoluir. Só assim posso ajudar o Braga, tornando-me um jogador importante.

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É uma responsabilidade acrescida saber que foi o investimento mais elevado da história do Braga [custou oito milhões de euros]?

-Tenho a noção de que o clube apostou fortemente em mim. Deixa-me orgulhoso e, naturalmente, espero ser bem-sucedido. Quero ajudar o Braga a crescer.

Segundo a Imprensa espanhola, o Barcelona chegou a ter praticamente fechado o seu empréstimo ao Sporting em janeiro. O que falhou?

-Tive várias equipas interessadas em mim. Não me sentia bem no Barcelona e vários clubes tentaram, mas optei pelo Braga. Entendi que seria a melhor opção e estou muito feliz.

Não admitia ser emprestado?

-Só queria ser feliz e poder jogar ao mais alto nível, daí ter escolhido o Braga. Acredito que este clube me fará crescer como jogador e como homem.

Surgiu de forma surpreendente no onze inicial do Braga em Glasgow. O que lhe pediu na altura Rúben Amorim?

-Fazer o melhor possível no ataque. Vim para ajudar e o treinador transmitiu-me grande serenidade e confiança. Disse-me que não passava de um jogo, para estar tranquilo e para jogar aquilo que sei. Assim fiz: soltei-me no jogo. Correu bem.

Foi a partida mais mirabolante da sua carreira?

-Tive outra do mesmo género, ainda pelo Barcelona, na meia-final da Youth League, contra o Manchester City [2017/18]. Ganhámos 4-5, em Inglaterra. Foi estranha do princípio ao fim: mal fazíamos um golo, o adversário também marcava. Frente ao Rangers, o Braga esteve muito bem. Chegou a estar a ganhar por 2-0, mas eles deram a volta. Foi um jogo muito renhido e espetacular para os adeptos. Julgo que está entre os melhores da atual edição da Liga Europa.