Posse de bola? Jorge Simão conta a história da rapariga no bar

Posse de bola? Jorge Simão conta a história da rapariga no bar
Mónica Santos

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Jorge Simão, treinador do Braga, fez a antevisão ao jogo com o Benfica e deixou uma curiosa história na conversa com os jornalistas.

Benfica teve um ponto de viragem em Braga, na época passada. Agora, pode ser ao contrário? "Recordo-me perfeitamente desse momento da época passada a que reporta. Qualquer jogo para nós, e já vamos numa série considerável sem conseguirmos ganhar, é mais uma oportunidade para ser esse ponto de viragem. Mas, queria dizer outra coisa. Por mais... ia utilizar a palavra absurdo, mas não é bem a palavra correta. Por mais audaz que possa parecer esta minha intervenção, gostava de dizer que, no momento em que nós vivemos, nós Braga, o que é fundamental é reforçar o que temos vindo a fazer. E o que temos vindo a fazer, eu concretamente, enquanto treinador que treino esta equipa há cerca de dois meses? Tenho vindo a tentar criar, construir, solidificar uma equipa que, de acordo com a ambição do presidente, que é uma visão nos arrasta a todos, construir uma equipa que nos permita chegar ao ponto de ser campeão nacional numa até ao final da época de 2020. Digo-o numa sequência de jogos em que não ganhamos. Não é fácil dizê-lo, mas, estou a reforçar a minha ambição e a que estes jogadores têm de demonstrar neste processo de construção de uma equipa para que, até ao final da época de 2020, nos consigamos sagrar campeões nacionais. Este jogo com o Benfica insere-se nesta medida, é mais um dos grandes obstáculos que temos pela frente para começar a consolidar esta equipa. É a forma como eu vejo. Portanto, acho que é o momento, como já foram os jogos anteriores ou irão ser os seguintes, de viragem, sim, acreditamos, obviamente, nisso, mas, o que queria dizer é que lançamos a visão a longo prazo, não somente no que estamos a fazer nesta época, mas na preparação de bases sólidas para criar um Braga com aspirações legítimas a ser campeão nacional até 2020".

Se o Benfica assumir o jogo, se tiver mais iniciativa, o Braga poderá ficar numa situação mais confortável? "Não consigo perceber porquê. Tenho sido constantemente confrontado com esse tipo de questões. A responsabilidade é minha, ainda não consegui passar a mensagem de como é que vejo o jogo. Colocam-me, frequentemente, questões sobre a posse de bola. Deixem-me contar-vos uma história. Uma vez, fui sair à noite, fui a um bar e houve uma rapariga muito engraçada que me chamou a atenção. Meti conversa, sentei-me a uma mesa com ela e estivemos a brincar e a beber uns copos até às quatro, cinco da manhã. Rimo-nos, divertimo-nos, foi um fartote. Às cinco da manhã, chega uma outra pessoa, um homem, que invade o nosso espaço, agarra a minha amiga pelo braço, leva-a para a casa de banho e estiveram a fazer amor. Quando saem, vão os dois embora. Moral da história: pouco interessa o que se passou, porque nessa noite, eu tive muito mais posse de bola. E esta é, basicamente, a minha ideia. Esta história não é minha. Quem o disse foi o Sampaoli, que na altura era selecionador do Chile, e disse-o depois de ter perdido por 3-0 um jogo em que teve 70 por cento de posse de bola. É exatamente o que eu penso. A posse de bola, neste momento, e concretamente nos clubes grandes, que é do que estamos aqui a falar, exacerbam tudo à sua volta. O que é importante é ter posse de bola. O resultado não interessa, desde que tenhamos mais posse de bola! Eu volto a dizer: eu não quero que me colem rótulos, que digam que as minhas equipas jogam mais ou menos assim. Eu gostava que as olhassem, acima de tudo, como uma equipa. Que se notasse que há ali um verdadeiro compromisso daqueles jogadores pela obtenção de um resultado, porque é disso que estamos a falar. A forma para o fazer, há jogos que é mais assim, outros que é mais assado... Jogos em que é preciso muito mais posse de bola, outros em que não, mas, temos de nos sentir muito mais confortáveis em ambas as situações e, se não nos sentirmos, é porque não estamos preparados. Respondendo à questão: jogando com o Benfica, espero um jogo dividido, equilibrado. Tem jogadores de outro nível, comparativamente com o nosso último adversário, o Boavista. Como é óbvio, se estão no Benfica, serão jogadores de outra qualidade. Mas, também nós, Braga, temos capacidade de discutir o jogo, o resultado, independentemente de haver fases em que temos mais ou menos posse de bola. Já li coisas interessantes a dizer que o Braga mudou desde que entrei porque a linha defensiva joga mais recuada. Dou por mim a rir à frente destas coisas, porque eu nunca na minha vida falei que a minha linha defensiva tem de jogar mais recuada. Pelo contrário! Se tivessem possibilidade de ver os treinos, a ideia é a linha defensiva jogar no meio-campo".

Defrontou o Benfica com o Chaves, em Setembro. Como olha para o Benfica, está mais forte ou mais fraco? "Neste momento, acho que o Benfica está muito mais forte. Porquê? Porque está a caminho de se tornar uma das oito melhores equipas da Europa e há uns meses não estava. Isto é elucidativo. Aproveito para felicitar o treinador adversário pela brilhante vitória contra o Dortmund e desejar felicidades, não neste jogo, mas para o outro que se segue"