"Portugal? Ainda ontem vi uma reportagem sobre o Atalanta-Valência..."

"Portugal? Ainda ontem vi uma reportagem sobre o Atalanta-Valência..."
Pedro Rocha

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Custódio, treinador do Braga, falou esta quarta-feira aos jornalistas através de videoconferência.

Como se trabalha sem contacto direto com os jogadores: "Não é fácil. Tento manter as rotinas e inteirar-me ao máximo sobre como estão a decorrer os treinos dos jogadores. Faço também trabalho de observação".

Os jogadores estão ansiosos pelo regresso? "Ninguém estava à espera disto e, naturalmente, a ansiedade irá aumentar com o tempo. Não sabemos quando é que isto vai terminar. Eu quero é que sejam responsáveis e que fiquem em casa, acatando as ordens do Governo e dos profissionais de saúde. De uma forma geral, julgo que os jogadores têm noção do que está a acontecer e têm cumprido essas ordens de forma excecional. De resto, nós (os treinadores) tentamos ser originais, interagindo com os jogadores através de videoconferências e vídeotreinos".

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Acredita que será possível cumprir o resto do campeonato? "Não penso muito nisso. O que me importa é que não falta nada aos jogadores. Estamos antes preocupados com o dia-a-dia, com o claro objetivo de combater esta pandemia".

A equipa poderá ressentir-se da paragem? "Quando regressarmos, todas as equipas estarão em pé de igualdade. Não tenho dúvidas, porém, de que estaremos bem preparados para esse momento. É claro que esta paragem forçada não é benéfica para ninguém. E não é só no futebol, será em todos os setores da sociedade. De qualquer modo, o Braga vai prepara-se bem e não me parece que o campeonato fique desvirtuado".

O que tem transmitido aos jogadores: "Partilhei com eles um vídeo para que eles percebam onde podem melhorar. Mas serviu para eles perceberem que temos saudades deles em campo e que devem manter o foco. Sou muito positivo e acredito que tudo vai correr bem".

Conversas individuais: "Tempo não falta para isso. Converso por dia com cinco jogadores. Sou muito próximo deles, é a minha forma de liderar. Estou muito preocupado com o bem estar deles, como costumo estar com o bem estar da minha família. Tenho a certeza de que falarei com todos do plantel".

Portugal parou os campeonatos na altura certa? "Ainda ontem vi uma reportagem sobre o jogo Atalanta-Valência, que ajudou a tornar ainda maior o problema que se verifica em Itália. Felizmente, conseguimos antecipar a quarentena e foi uma boa medida".

O que o preocupa mais: a componente física ou a parte mental dos jogadores? "Quero que estejam bem em todos os aspetos. Ao estimulá-los para os treinos e para o cumprimento de rotinas, estamos a ajudá-los em termos mentais. Quero é que se protejam e protejam as respetivas famílias. Por aí, julgo que temos grandes homens e a estrutura do clube tem gente competente a acompanhá-los de forma irrepreensível".

Só dirigiu a equipa num jogo: "Nunca imaginei isto. Mas não posso ser egoísta ao ponto de colocar as minhas ambições à frente de interesses mais elevados, como é a saúde pública. Isto é algo que não se pode controlar. Ninguém passou por algo idêntico no futebol. É tudo novo".

O dia-a-dia: "Ligo muito às rotinas para matar o tempo. Acordo muito cedo, tomo o pequeno almoço e logo depois estou a fazer exercício físico. Depois dedico algum tempo à família, o que nem sempre é possível quando decorre a competição. O resto do dia é preenchido a estudar a equipa, estudando os jogos das jornadas anteriores e os próximos adversários. Tenho ainda observado alguns jogadores que possam interessar ao clube e leio muito. Gosto muito de ler, sobretudo romances".

Os ventiladores oferecidos pelo grupo ao Hospital de Braga: "O Braga tem uma responsabilidade social enorme e todos nós, de forma espontânea, aderimos a essa campanha. Encheu-nos de orgulho, mas não somos os únicos a ajudar neste momento as instituições hospitalares".

Sistema 3x4x3 será para manter: "Em termos defensivos, introduzirei algumas nuances, mas no sentido de continuidade. Acredito muito nessa ideia de jogo, que até tem sido transversal no clube".