Abel Ferreira: "Tenho pouca voz como treinador do Braga"

Abel Ferreira: "Tenho pouca voz como treinador do Braga"
Pedro Marques Costa

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Na antevisão do jogo com o Feirense, o treinador do Braga defendeu que o futebol português "está a transformar-se em algo" que não se revê.

Na antevisão da visita, este sábado, a Santa Maria da Feira, onde vai defrontar o último classificado, o Feirense, Abel Ferreira admitiu a obrigação de ganhar.
"Temos essa obrigação de ganhar e estar focados no que temos de fazer. Analisámos os dois jogos que fizeram com Benfica e FC Porto, as pessoas sabem as dificuldades que tiveram em ganhar, e também nos espera isso. Todos os jogos são oportunidades e desafios para crescermos. Mais do que tudo, o Feirense vai querer ganhar, mas temos a obrigação de vencer. A nossa forma de jogar é audaz, arriscada e, mais uma vez, vamos jogar para vencer, conhecendo os antecedentes [jogos do Feirense com Benfica e FC Porto]".

Feirense desfalcado
"Nunca me queixei das ausências que fui tendo e ainda hoje as temos. Temos é de estar alerta porque o adversário vai querer fazer tudo para vencer. Respeitamos o adversário, merece-nos a mesma dedicação e, portanto, está montado este desafio de grande dificuldade. Sabemos o que queremos e temos que igualar a intensidade e agressividade do adversário para estarmos mais próximos de vencer".

Não terminar no terceiro lugar será uma frustração?
"Esse balanço vou fazê-lo no fim. Fomos à meia-final da Taça de Portugal, estivemos na meia-final da Taça da Liga e perdemos como vocês sabem e estamos na luta por esta posição até ao fim. Em maio faremos o balanço. Há é qualidade de trabalho, de jogo e valorização de jogadores. Essa imagem de marca está lá".

Força coletiva, Dyego de fora
"Dyego não joga [por estar lesionado]. A minha função é arranjar soluções, jogue quem jogar. Ninguém se lembra do Ricardo Ferreira, que era o nossos melhor central, do Matheus, que era titular. A força deste clube é a equipa. Não temos jogadores que, individualmente, consigam resolver jogos, mas sim o coletivo. Basta ver a nossa forma de jogar, como defendemos e atacamos. A qualidade, o espírito de sacrifício e a identidade é a nossa imagem de marca".

Chegou a falar das desigualdades no futebol português no início da época passada. Benfica e FC Porto foram eliminados nas competições europeias...
"Falei isso? Ai falei? Muitos não sabem, mas sou licenciado em Educação Física. A mim podiam chamar-me professor, professor Abel. Sei que muita gente não sabe, mas quero ser melhor todos os dias, como homem e como treinador. E estudar o fenómeno. Falei isso, mas se calhar cheirou a desculpas. É uma reflexão que temos de fazer profundamente, mas, sendo eu treinador do Braga, tenho pouca voz. Não vou mudar o futebol nem o contrário, mas sei o que quero para mim, para a equipa e sei como funciona o futebol. Falei nisso? Mas não foi agora, foi há muito tempo".

Futebol português passou dos limites
"Nunca prometi títulos, nem vou prometer. Todos temos responsabilidade em promover o futebol. Vejam o que o Bernardo Silva disse, o melhor jogador português da atualidade juntamente com o Cristiano Ronaldo, que o futebol português passou dos limites. O futebol está a transformar-se em algo em que não me revejo. É bom ouvir o que dizem estes jogadores que estão lá fora, que já se passou dos limites. O sucesso, para mim, não é só levantar troféus. Já os levantei enquanto jogador e treinador e vou levantá-los, seguramente. Sei o que quero, sei onde vou chegar e o caminho que tenho de percorrer".