"Discutir apoio de António Costa a Vieira é ridículo"

"Discutir apoio de António Costa a Vieira é ridículo"
José Manuel Ribeiro / Carlos Gouveia / Frederico Bártolo / Manuel Casaca / Mónica Santos / Pedro Rocha / Tomaz Andrade

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O JOGO ouviu onze figuras da política e do futebol que reiteram a ânsia de ver os fãs no estádio. Miguel Pedro, adepto do Braga, respondeu às três perguntas do nosso jornal.

1 -A polémica do apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira gerou várias declarações de políticos nada abonatórias para o futebol. Esse ponto de vista dos políticos explica de alguma forma, por exemplo, a ausência de público nos estádios? Há uma birra do Estado para com o futebol?

Acho que não há uma ligação entre as duas coisas. A ausência de público nos estádios terá as suas razões científicas e, como não sou especialista em infecciologia, não quero estar a opinar sobre isso. Noventa por cento das opiniões que se ouvem sobre este assunto são "bitaites". Não considero que haja qualquer birra do Estado em relação ao futebol.

2 - O futebol profissional deve assumir a sua quota-parte de responsabilidades nessa alegada necessidade de um distanciamento higiénico dos responsáveis políticos?

Reconheço que o primeiro-ministro fez um mau papel sobre o distanciamento que se pretende entre a esfera política e o futebol. Não se consegue distinguir um adepto de um ministro. A discussão gera ruído e, nesta altura, o futebol não precisa de ruído.

3 - Como entende o apoio do primeiro-ministro à recandidatura de Luís Filipe Vieira?

Sinceramente, acho que o ruído sobre este assunto é um sinal de que não temos coisas melhores para discutir. Num país mais normal, isto devia ser um não assunto. Mas também acho que António Costa cometeu um erro crasso, não tinha de fazer isto e, assim, deu um tiro nos pés, porque ninguém distingue o António Costa político do António Costa adepto, mesmo apesar de ele ter tentado manter o assunto fora da esfera da política. Foi um erro básico de estratégia. Seja como for, a discussão é ridícula, isto numa altura em que o país vive uma situação de pandemia e tem fraturas emergentes no seu sistema democrático com as questões da extrema-direita. Estar a discutir o apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira é ridículo.

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