A reinvenção de Galeno pela mão de Carvalhal: "Até pode ser ponta de lança"

A reinvenção de Galeno pela mão de Carvalhal: "Até pode ser ponta de lança"
Pedro Rocha

Tópicos

José Gomes poliu o brasileiro no Rio Ave e dá conta de um jogador completo, capaz de superar a marca dos nove golos de 2018/19.

A reinvenção de Galeno, pela mão de Carlos Carvalhal, é saudada por José Gomes. O atual treinador do Almería trabalhou o brasileiro em 2018/19, época marcada pela sua afirmação no principal escalão, ao serviço do Rio Ave (marcaria nove golos), e considera que foi feliz o desvio da posição de extremo para ala no atual Braga, desenhado em 3x4x3.

"Foi uma opção bastante inteligente do Carlos Carvalhal. Ao colocá-lo no meio-campo, protege-o das tarefas defensivas e, por isso, o Galeno está sempre mais fresco para atacar. Desgasta-se menos do que um extremo, que é sempre o primeiro a tentar travar o lateral que explora o seu flanco. Continua a ter a obrigação de defender, mas agora percorre distâncias mais curtas e, naturalmente, o desgaste físico é menor", analisou.

A frescura física, misturada com talento, valeu mesmo ao Braga um golo salvador frente ao Trofense, já no terceiro minuto do tempo de compensação da partida da Taça de Portugal. Influente como nunca pelos bracarenses, o número 90 esteve ainda na génese do primeiro golo, somando nesta altura quatro remates certeiros e três assistências, e não ficará por aqui, segundo José Gomes. "Vai bater por certo a barreira dos nove golos. Está numa equipa que assume o jogo em qualquer estádio e ele tem características fantásticas: velocidade, capacidade técnica, drible e remate. Tem ainda uma impulsão muito boa. Está a render muito bem como ala, mas até pode jogar como ponta de lança, ou na posição 10, rompendo em tabela vindo de trás", explicou o treinador, certo de que Galeno tem merecido "o carinho" devido da parte de Carvalhal.

"Quanto mais confiança ele sentir da parte dos treinadores, melhor ele corresponde e tem, de facto, grande capacidade na definição de lances ofensivos", juntou.

Há duas épocas, Galeno não era isso tudo. As imperfeições chegavam mesmo a ofuscar as qualidades inatas, mas José Gomes não desistiu dele. "Ajudámo-lo a perceber quando deve entrar ou abrir jogo, criar espaço para finalizar ou esperar pelos companheiros", contou o treinador, nada surpreendido com a consistência do brasileiro a defender. "É suficientemente agressivo e não tem qualquer receio de meter o pé. Por outro lado, é sempre um problema para os atacantes contrários por ser muito veloz. Liga o motor rapidamente", referiu.