"Uns amigos avisaram-me que estava convocado para a seleção, mas não acreditava"

"Uns amigos avisaram-me que estava convocado para a seleção, mas não acreditava"
Manuel Casaca

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Central já viveu o sonho da chamada à seleção peruana, mas houve momentos de depressão. Teve tudo, o pai era futebolista, mas sabe também o que é perder a casa onde morava. Conheça a história de Gustavo Dulanto, reforço para a defesa do Boavista.

A vida não tem sido fácil para Gustavo Dulanto, central peruano que assinou por dois anos pelo Boavista. O defesa de 23 anos tem, no entanto, um lema: "Nunca te rendas". Por isso, faz questão de avisar que deixa sempre "a pele em campo".

Rápido, agressivo e bom a sair com a bola controlada, Gustavo Dulanto tem ainda como características o bom jogo aéreo e um pontapé-canhão que faz dele um especialista em livres diretos. Qualidades que irá tentar explorar no Boavista, naquela que é a segunda experiência no estrangeiro. A primeira aconteceu de 2011 a 2014 na Argentina, no Rosário Central, onde jogou com o benfiquista Franco Cervi e com o internacional argentino Lo Celso. Chegou ao País das Pampas com apenas 16 anos e teve de superar as primeiras dificuldades. "Estava sempre sozinho", lamentou-se numa entrevista recente, contando que regressou ao Peru devido a um problema criado pelo empresário que o levara para a Argentina.

Assinou pelo Universitário, um dos principais clubes do seu país, e em 2015 viu o esforço compensado quando foi incluído na lista de 30 pré-convocados do Peru para a Copa América de 2015. "Estava a dormir e uns amigos ligaram-me a avisar que estava convocado para a seleção, mas não acreditava. Felicitaram-me nas redes sociais e comecei a chorar", recordou. Pouco depois, o sonho deu lugar à frustração quando viu o seu nome riscado da lista definitiva. Não desanimou e continuou a lutar, mas no ano seguinte sofreu nova desilusão. Sentiu-se "maltratado, deprimido" e ficou sem jogar. Nada que o deitasse abaixo. Assinou pelo Universidad Técnica, onde foi feliz e deu nas vistas ao ponto de ser falado para o Alianza Lima, um dos maiores clubes do Peru. No entanto, por ser adepto do Universitário, avisou logo que não aceitaria a mudança para o grande rival. Isto apesar de reconhecer que estando na capital tinha maiores possibilidades de ser novamente chamado à seleção peruana.

Acabaria por assinar pelo Real Garcilaso, onde esteve duas épocas. Deu nas vistas e vinculou-se ao Boavista, na primeira aventura europeia. Chega com muita vontade de triunfar e de ajudar a família, que também já passou por muitas dificuldades. "Surgiu um problema e tivemos de vender a casa. Fomos viver para casa dos meus avós. Isso ajudou-me a valorizar as coisas. Antes, conseguia tudo o que pedia", contou, recordando a boa vida que tinha, até porque o pai, Alfonso Dulanto, jogou em vários clubes do Peru e no Mérida, na I liga espanhola.

Gustavo seguiu as pisadas do pai, virou futebolista e também joga como defesa-central. "É o maior ídolo que tenho no futebol", revelou, garantindo que profissionalmente é muito parecido com o progenitor. "Só vi o meu pai beber um copo de álcool quando terminou a carreira no futebol", revelou, garantindo que também não bebe e não fuma.

Homem de fé, tem 17 tatuagens no corpo, onde estão os nomes dos pais, as iniciais da irmã e, na perna esquerda, um Anjo da Guarda.