O episódio vivido por Reggie Cannon: "Vou dar voz a quem não a tem"

O episódio vivido por Reggie Cannon: "Vou dar voz a quem não a tem"
Ana Luísa Magalhães

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Lateral norte-americano do Boavista lembrou episódio ocorrido no país natal.

Reggie Cannon, lateral-direito do Boavista recordou um episódio difícil que viveu nos EUA, em agosto, acrescentando uma revelação que está a ter bastante eco no país de origem.

Depois de ter criticado os adeptos que protestaram e insultaram os jogadores que se ajoelharam durante o hino nacional (um gesto simbólico antirracista), antes do jogo entre o Dallas e o Nashville, Cannon e a família receberam ameaças de morte e à integridade física. Esta parte da história já era conhecida, mas Cannon revelou que o Dallas, que publicamente o defendeu, tinha começado por lhe pedir que... pedisse desculpa.

"Já tinham escrito uma declaração para eu ler. Queriam que pedisse desculpa a quem pudesse ter ofendido. Com todo o respeito, não vou pedir desculpa, não fiz nada de errado", afirmou o norte-americano, numa entrevista ao podcast "The Crack" gravada ainda antes da viagem para a Europa, mas que só esta semana foi publicada.

"Não me interessa se me chamam democrata, comunista, esquerdista ou marxista. Eu posso bem com isso. Vou dar voz a quem não a tem. Dizem que sou privilegiado por ser jogador de futebol. Recebi ameaças de linchamento na minha própria cidade", sublinhou o jogador.