Boavista foi campeão há 19 anos: "Foi mais do que justo "

Boavista foi campeão há 19 anos: "Foi mais do que justo "

Cumpre-se esta segunda-feira, 19 anos que os axadrezados conquistaram o maior feito da sua história: o título nacional. Litos, o então capitão da equipa de Jaime Pacheco, recorda como foi possível

Faz esta segunda-feira 19 anos que o Boavista foi campeão nacional. Ao vencer o Aves por 3-0, a equipa então orientada por Jaime Pacheco escrevia, em pleno Estádio do Bessa, a mais bela página da história do clube fundado em 1903. Quase duas décadas depois, Litos, o então capitão dos axadrezados, tem uma explicação simples para o facto de o Boavista ter superado o favoritismo dos três grandes e ter ganho o campeonato contra todas as previsões. "Trabalhávamos muito no duro. Quando, por exemplo, treinávamos no Parque da Cidade víamos que os treinos das outras equipas que lá estavam eram muito mais ligeiros. Tínhamos também um grupo muito coeso e solidário. Já jogávamos juntos há três anos, tínhamos um espírito único, muito forte e fomos acreditando", recorda.

O antigo central reforça que os jogadores acreditaram que era possível conquistar o título, apesar da forte concorrência, e conta como foi decidido assumir a candidatura. "Quando fomos à Madeira, na 26.ª jornada, estávamos em primeiro lugar e empatámos injustamente, 1-1, com o Marítimo. No final, quando entrámos no balneário, o míster Jaime Pacheco disse-nos que íamos assumir a candidatura à conquista do título. E assim foi, porque sabíamos o valor e o grupo que tínhamos", salienta.

Litos lembra-se que o jogo do título, com o Aves, na penúltima jornada de 2000/01, foi "um sentimento de enorme felicidade". "No ano anterior tínhamos ficado em segundo lugar e foi o corolário de anos de muita luta e de um trabalho de um grande grupo. Penso que foi mais do que justo o título nacional inédito conquistado pelo Boavista", defende.

"Um prémio" para Valentim Loureiro

A primeira coisa de que Litos se recorda quando terminou o jogo com o Aves que deu o título ao Boavista foi ter pensado num dos grandes símbolos do clube. "Como fui formado no Boavista pensei no major Valentim Loureiro. Foi um grande presidente, depois com a continuação do seu filho, o doutor João Loureiro. O título foi um prémio mais do que merecido para Valentim Loureiro porque fez muito pelo Boavista, conseguiu que um clube de bairro conquistasse um título nacional. Era um presidente que dava muito valor à formação e fomos campeões com sete ou oito jogadores formados no clube", elogiou.

Sócio dos axadrezados, Litos defende que o clube deve continuar a investir nos jovens da casa. "O Boavista sempre teve a tradição de apostar em jogadores da formação e deve começar a integrá-los mais na primeira equipa e trabalhar bem na formação", salientou, não se esquecendo que o clube "passou por um período muito mau" mas está a recuperar estabilidade. "Por exemplo, ex-jogadores já estão a voltar e a reaproximar-se do clube e a criar o espírito boavisteiro. Mas o presidente, Vítor Murta, tem um trabalho muito duro pela frente", admitiu.