Toni perspetiva dérbi emotivo: "Penso que a Taça ainda não estará nas cabeças"

Toni perspetiva dérbi emotivo: "Penso que a Taça ainda não estará nas cabeças"
Redação com Lusa

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Ex-jogador e ex-treinador dos encarnados considera que foi "uma época perdida" para o Benfica.

O dérbi de sábado entre Benfica e Sporting, da 33.ª e penúltima jornada da I Liga, deverá ser influenciado pela manutenção do recorde invicto do novo campeão nacional reconheceu à agência Lusa o treinador Toni.

"Acredito que essa particularidade seja algo a acrescentar ao dérbi. Por um lado, temos uma equipa já campeã e focada em chegar ao final do campeonato sem derrotas. Por outro, ninguém parte para um dérbi para não o ganhar e acresce a tentativa de quebrar esse objetivo que, porventura, o rival quer manter", vincou o ex-jogador e técnico das águias.

O Benfica, terceiro colocado, com 70 pontos, recebe o recém-campeão Sporting, líder invicto, com 82, no sábado, às 18:00, no Estádio da Luz, em Lisboa, numa altura em que os anfitriões ainda lutam pela entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões.

"Tenho muitos dérbis como jogador, adjunto e treinador principal. Seja em que contexto for, todos são rodeados de duas certezas: a emoção e a incerteza no resultado. Isso vai estar sempre subjacente, mais do que salvar a honra, porque não há jogos que salvem honra nenhuma", ressalvou Toni, que alinhou pelos encarnados entre 1968 e 1981.

O Benfica está obrigado a somar os seis pontos em disputa na I Liga e depende de dois deslizes do FC Porto, anterior detentor do título e segundo classificado, com 74 pontos, para evitar disputar pela segunda época seguida pré-eliminatórias na prova milionária.

"Foi uma época perdida do ponto de vista desportivo e financeiro. O afastamento da Liga dos Campeões foi mau para o Benfica. Depois, houve aqui um pormaior importante: a covid-19 surgiu no decorrer da temporada e fez com que a equipa baixasse a nível de rendimento e acabou por ter influência no desenrolar do campeonato", justificou.

A pandemia vai implicar o terceiro duelo lisboeta seguido sem público, algo que "é quase como matar o dérbi" para Toni, confiante de que as águias recusarão pensar já na final da Taça de Portugal com o Braga, agendada para 23 de maio, em Coimbra.

"Penso que não estará ainda nas cabeças do treinador e dos jogadores. Acredito que na última jornada, em Guimarães, haja poupanças em relação ao jogo da final. Neste dérbi, o Jorge Jesus porá em campo aqueles atletas que melhor respondam à sua estratégia", considerou o ex-técnico do Benfica em três fases (1987-1989, 1992-1994 e 2000-2001).

A Taça de Portugal é a única chance de as 'águias' ainda poderem conquistar troféus em 2020/21, época cujas perspetivas eram altas pelo regresso de Jorge Jesus, 'tricampeão' na Luz (2009/10, 2013/14 e 2014/15), além do investimento recorde de 105 milhões de euros.

"Se fizéssemos um paralelismo com a Fórmula 1, diríamos que o Sporting partia em terceiro e que FC Porto e Benfica iam discutir o título. Só que o futebol tem também este sortilégio. Numa prova de regularidade, em que acontecem suspensões, lesões, altas e baixas de forma, o Sporting definiu a estratégia e teve visão, projeto e pessoas", frisou.

Se Rúben Amorim "escolheu os jogadores e trabalhou-os para o seu sistema de jogo", Toni, de 74 anos, lembra que o "revés grande" causado pela eliminação precoce da Liga Europa "permitiu consolidar processos determinantes para uma época mais regular".

"Não foi uma equipa que entusiasmou do ponto de vista exibicional, mas na qual se percebeu o compromisso de todos, não só do presidente, como do Rúben, o grande arquiteto da época, e dos atletas, os grandes obreiros. Quando a justiça do resultado não deixa dúvidas a ninguém, só temos de nos render e homenagear quem ganhou", notou.

Toni jogou nos dois campeonatos invictos das águias, tendo Jimmy Hagan celebrado com 28 vitórias e dois empates (1972/73), enquanto John Mortimore contou 21 triunfos e nove igualdades (1977/78), mas perdeu o título para os 'dragões' na diferença de golos.