Talisca já vale por mil na Baía

Marco Gonçalves

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Dinheiro da transferência para a Luz fez renascer a fundação que tira miúdos da rua e ajudou a salvar o médio.

Anderson Talisca tem brilhado em campo pelo Benfica, mas no Brasil é visto também como um exemplo fora dos relvados. Em Feira de Santana, terra natal do craque encarnado, já nasceu um programa de homenagem ao jogador, o projeto "Nascer mil Taliscas", que tem como objetivo tirar miúdos da rua, salvando-os tal como sucedeu com Talisca. Ainda que tivesse sido criado pela família, de poucos meios, o camisola 30 encarnado fugiu das drogas fruto da sua entrada, aos 12 anos, para a Fundação de Apoio ao Menor de Feira de Santana (FAMFS). Agora, e depois de passar por anos de dificuldades, por falta de meios, esta organização de solidariedade renasce, fruto do apoio do Astro, clube por onde o futebolista passou antes de chegar ao Bahia, e que decidiu atribuir à FAMFS uma parte significativa dos 330 mil euros a que teve direito com a transferência para o Benfica, que pagou quatro milhões de euros.

"Ele chegou aqui aos 12 anos, sempre foi um bom menino. Aprendeu muito e fugiu de maus caminhos, como a droga. E quando saiu para o Benfica decidiu que queria ajudar os miúdos daqui para que possa sonhar em repetir o percurso dele. Por isso, decidiu-se criar o projeto 'nascer mil Taliscas'", revelou a O JOGO Antônio Lopes, presidente da FAMFS quando o jovem jogador passou pela instituição.

"Queremos dar uma educação aos miúdos, mas também com uma vertente de lazer e desportiva. estamos a reconstruir os seis campos relvados e o estádio, que passará a ser o 'estádio Talisca'",, adiantou, explicando que neste momento o programa "tem já 300 crianças e mais de 20 professores". "Mas o plano é, claro, chegar aos mil miúdos", ressalva.

Doda, como era conhecido na infância, por abreviatura de Anderson, ainda não teve oportunidade de visitar o projeto, mas a intenção não falta. "Ele já disse que vem, até porque nunca esquecerá o que passou aqui. Na primeira vez que me viu depois de ir para o Bahia saltou para a bancada para me dar um abraço", diz.

Talisca brilha agora com uma bola nos pés, mas aos 12 anos, conta Antônio Lopes, tinha também apetência para a capoeira e para a música. "Na nossa Fundação tínhamos uma equipa e percorríamos vários países. Mas para entrar era preciso ser bom de bola, fazer capoeira e tocar três instrumentos", diz, sublinhando: "Não jogávamos só futebol. Quando os jogos acabavam

fazíamos exibições de capoeira e dávamos concertos." E Talisca era "muito bom na capoeira e a tocar bumbo", assegura, confessando: "Tocava também caixa de repique, surdo, tambor e pandeiro."