"Seferovic? É como ser o empregado do mês do McDonald's e depois queimar as batatas fritas..."

"Seferovic? É como ser o empregado do mês do McDonald's e depois queimar as batatas fritas..."

Bruno Lage comentou o gesto do avançado suíço após o golo marcado frente ao Leipzig, na derrota por 2-1, na Liga dos Campeões.

Avançado tem de saber lidar com a situação: "É uma situação com que tem de saber conviver. Não falei com ele sobre o assunto ainda, mas tem de saber conviver com isso. O que sinto é, olhamos um bocadinho para o Seferovic, dá ideia de uma pessoa fechada, posição de militar, mas não, é muito tranquilo, foi pai, está a viver o melhor momento da sua vida. Aquilo que sinto é que o Seferovic gosta muito de estar no Benfica, por isso é que renovou, e os adeptos também têm carinho pelo melhor marcador da época passada, pelo homem da frente que mais trabalha coletivamente".

Explicação e exemplo: "O que me parece é que o gesto nem é tanto para os adeptos, eles têm de perceber o que se vai passando. Estive ao lado dele na conferência, e quando alguém se senta ao lado dele, olha para o momento da equipa, a marcar, a golear, a vencer a Supertaça, a começar bem no campeonato e as perguntas que lhe fazem é só sobre os golos, os golos, os golos... Acho que foi um pouco isso, mais uma reação desse tipo. Mas é uma reação que não deve ter para os adeptos, não deve ter para ninguém. Em jeito de brincadeira, é como dizer que foi o empregado do mês no McDonald's, no dia seguinte queimou as batatas fritas e ainda levou uma dura do chefe".

Satisfeito com o trabalho do suíço: "É o balanço que fazemos. Se olharem de uma forma transversal para todos os avançados, todos correm acima dos 11 mil metros. Todos eles. Atenção, repito, isto não é atletismo, mas se queremos jogar com comportamentos ofensivos e defensivos, os avançados têm de correr muito. Vejam os avançados do Atlético de Madrid. É o que o Sefe faz. Há que olhar para isso, para o que dá à equipa e só depois olhar para isso. Neste momento queimou as batatas fritas, faz um ou dois jogos sem marcar, mas curiosamente quando sai do banco entra e marca sempre, estou muito satisfeito com o trabalho dele. Adeptos têm de perceber que a pressão é muito grande".

Bom desempenho na Europa? "Acredito muito nisso. Vejam o passado recente, com grande parte destes jovens fomos a duas finais da Youth League. Isto leva-nos a uma situação do passado. Há 15 anos, a primeira ideia foi construir o centro de estágio. Eu estava cá. Diziam 'para quê? Ter uma equipa campeã com base em miúdos é muito difícil'. E conseguimos. Fala-se de o Benfica voltar a ser grande na Europa, na Liga dos Campeões. Estamos a dar os primeiros passos. Os que hoje dizem que não é possível, foram os mesmos que disseram que não era possivel ser campeão com jovens na equipa A. Com o tempo vamos lá chegar.

Meti aquela que na minha opinião era a melhor equipa para vencer o jogo. Para cada cenário, a melhor estratégia. São as nossas opções. Nós é que temos de viver com elas. Há o projeto do clube, o caminho e acreditar muito nestes jovens jogadores. Gedson, Não me tirem esta vontade de acreditar. Acredito muito, porque acreditei que iamos ser campeões e fomos, e acredito que vamos fazer uma competição à imagem do Benfica".