Rui Costa: "Não foi o maior valor alcançado das onze emissões obrigacionistas"

Rui Costa: "Não foi o maior valor alcançado das onze emissões obrigacionistas"
Redação com Lusa

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Rui Costa, presidente do Benfica, recordou as condições em que decorreu a emissão

A oferta pública de subscrição de obrigações da Benfica SAD (2021-2024) alcançou o montante total de 35 milhões de euros pretendido pelos encarnados, segundo os resultados divulgados pela Euronext, a gestora da bolsa portuguesa. A procura válida foi de 35.179.705 euros, ou seja, ligeiramente acima da oferta de títulos disponível neste empréstimo obrigacionista, que contou com um total de 1.887 investidores.

"Hoje é um dia importante para o Benfica, pese embora a conjuntura recente. O objetivo do novo empréstimo obrigacionista foi alcançado. De resto, era uma das primeiras metas que tínhamos definido no último plenário dos órgãos sociais. Tal demonstra a confiança dos obrigacionistas num projeto sólido e sustentado, na forma como sempre cumprimos os nossos compromissos ao longo destes anos", disse Rui Costa, presidente do Benfica, numa mensagem publicada no Twitter da Euronext Lisbon.

Apesar de satisfeito, Rui Costa assume que o resultado ficou longe do que já foi alcançado no passado: "não foi o maior valor alcançado das 11 emissões obrigacionistas", afirmou.

"Esta emissão, face às circunstâncias, deve encher de orgulho de forma muito especial todos aqueles que trabalharam para o resultado alcançado. Nesse sentido, o meu reconhecimento e agradecimento a todos", disse ainda.

Recorde-se que esta emissão arrancou no dia 5 de julho, dois dias antes da detenção do agora ex-presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, e a colocação dos títulos decorreu até 23 de julho, tendo sido feita uma adenda ao prospeto que tinha sido aprovado em 1 de julho para dar conta dos acontecimentos que envolvem aquele que, até há pouco tempo, era o líder das 'águias'.

Em 19 de julho, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) revelou que está a investigar infrações na divulgação de informação ao mercado e de abuso de informação ligadas à Benfica SAD, no âmbito da detenção de Luís Filipe Vieira.

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do clube e Novo Banco.

O agora ex-presidente do Benfica está em prisão domiciliária até à prestação de uma caução de três milhões de euros e proibido de sair do país, além de estar indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

Segundo o Ministério Público, o empresário provocou prejuízos ao Novo Banco de, pelo menos, 45,6 milhões de euros, compensados pelo Fundo de Resolução.

No mesmo processo, denominado "Cartão Vermelho", foram detidos, para primeiro interrogatório judicial, o seu filho Tiago Vieira, o agente de futebol e advogado Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos, todos indiciados por burla, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal.