Renato Paiva explica saída: "No Benfica B era quase impossível ser campeão..."

Renato Paiva explica saída: "No Benfica B era quase impossível ser campeão..."
Pedro Miguel Azevedo

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Após 16 anos na formação, o treinador confessa que gostava de ter chegado à equipa principal do seu clube do coração. "Se um dia acontecer, fico feliz mas agora só penso fazer bons trabalhos", diz.

Renato Paiva orienta este domingo, frente ao Penafiel, a equipa do Benfica B pela última vez, passando no dia seguinte a pasta a Nélson Veríssimo que, assim, regressa à estrutura encarnada após ser adjunto de Bruno Lage e interino na equipa principal da época passada.

Paiva vai para o Equador treinar o Independiente del Valle durante pelo menos dois anos mas os 16 anos passados nas várias equipas da formação no Seixal não serão esquecidos. O treinador explica a O JOGO que a possibilidade de rumar a um projeto onde se luta por troféus foi determinante para agarrar o desafio.

"Foi uma vida inteira no Benfica, cresci aqui muito ao nível profissional e pessoal, com jogadores, técnicos, dirigentes, adversários. Todos me ajudaram a ser quem sou. Mas precisava de me desafiar, de voltar a ganhar títulos e, na equipa B, era quase impossível ser campeão. É bom poder entrar no futebol de resultados, tinha isso também como um objetivo pessoal. Fiz o meu caminho a pulso no Benfica, um caminho sustentado e senti que este era o momento de sair ao fim de 16 anos. Foi um percurso fantástico num clube fantástico", apontou Paiva.

Benfiquista assumido, o técnico confessa que, um dia, gostaria de treinar a equipa principal, a única onde não esteve. "Podemos ter objetivos mas com isso não quero condicionar ninguém. Treinar o Benfica? O futuro o dirá. Nunca escondi ser adepto do Benfica e, se perguntarem a um adepto se gostava de treinar a sua equipa, a resposta será clara. Se acontecer, fico feliz mas para já só penso fazer um grande trabalho no Independiente", frisa.

Já questionado pela BTV sobre quais os seus momentos altos no clube, Paiva apontou aos craques. "São quando me sento no sofá a ver a Premier League, La Liga, a Seleção Nacional, onde estão os meninos que passaram pelas minhas mãos e pelas de outros. É o que mais me orgulha, assim como quando recebo mensagens deles, que não esquecem o nosso trabalho", disse o treinador, confessando "uma mágoa muito grande por sair do clube mas a vida é mesmo assim". Renato Paiva chegou mesmo a emocionar-se ao falar deste adeus: "Saio do Benfica, mas o Benfica nunca sairá de mim."

Ser campeão é objetivo
No Equador, Renato Paiva terá pela frente um novo desafio, para o qual já tem objetivos imediatos traçados. "Vou com dois objetivos: um deles é levar o Independiente ao título de campeão nacional, algo que ainda não conseguiu e o outro é chegar à Taça Libertadores", revelou. À espera, estará uma realidade nova mas... parecida: "Este é um clube muito parecido com o Benfica também por ter uma das maiores academias da América do Sul, onde gostam de potenciar jogadores. Quero deixar lá a minha marca".

Vieira entendeu situação
Para poder sair, Renato Paiva teve de ter o aval de Luís Filipe Vieira. "O presidente deu-me esta oportunidade de sair e foi muito sensível ao perceber que isto era muito importante para mim", contou o técnico, que também agradeceu a figuras como Jaime Graça, José Henriques, Bastos Lopes, Nené, Zé Luís, Pietra, Shéu, Bento e Rui Costa.