Raúl Jiménez: "Luto até à morte por cada bola"

Raúl Jiménez: "Luto até à morte por cada bola"
João Sanches e Vítor Rodrigues

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O camisola 9 tem feito mossa nos adversários e catapultado a equipa, mas assegura que este ainda não é o melhor Jiménez. Como não aceita limites, confia que pode render cada vez mais. Entrevista a O JOGO.

O amadurecimento e a experiência são argumentos que Raúl Jiménez lança para explicar o momento que atravessa, mas a mentalidade de nunca dar nada por adquirido ou perdido, considera, permitiu-lhe brilhar.

Vem marcando golos em série, muitos deles a valerem pontos e vitórias ao Benfica. Este é o seu melhor momento desde que chegou a Portugal?

-Marcar golos deixa-me muito contente. Fico feliz por ver o meu nome na história dos jogos e dos respetivos resultados. Satisfaz-me ajudar a equipa a arrancar vitórias. A sequência de jogos a fazer golos atesta que atravesso um bom momento e quero que continue assim. Vou trabalhar para isso e ir sempre para a frente em busca de mais.

Este já é o melhor Jiménez? Ou ainda tem muito mais para mostrar?

-A minha perspetiva é que um jogador nunca se deve limitar. Se continuar a trabalhar juntamente com os meus companheiros, estou seguro de que poderei acrescentar mais alguma coisa, poderei dar sempre mais à equipa. Tenho noção de que é isso que os responsáveis do clube e os adeptos esperam de mim e eu não quero defraudá-los. Acima de tudo, quero fazer as coisas bem para satisfazer as pessoas e, claro, a mim mesmo.

Temos observado um Jiménez mais confiante, mas também nos lembramos dos primeiros meses da época passada, período em que não se mostrou tão solto. O que mudou?

-Com tempo e jogos, fui ganhando experiência e conhecendo melhor o futebol português. A adaptação é uma parte normal do processo na carreira de um jogador. A partir daí, as coisas boas acontecem com naturalidade. Vamos indo pouco a pouco, cada vez mais unidos e concentrados no trabalho coletivo e individual.

Teve necessidade de ajustar alguma coisa no seu estilo de jogo, em face das características das equipas do campeonato e jogadores que as compõem?

-Sempre me caracterizei por lutar por todas as bolas, por ir até à morte em cada lance. É isso que estou a demonstrar no Benfica. Não mudei ou alterei pormenores na minha forma de estar em campo e de jogar, simplesmente estou hoje mais adaptado e ambientado a esta realidade. As oportunidades vão surgindo e estou a aproveitá-las melhor do que na época passada quando me tocou entrar na equipa. Só posso agradecer e dar o máximo para justificar a confiança que o míster, o corpo técnico e os meus companheiros me dão. Isso é importante para o meu rendimento.

Comporta-se como um goleador-operário. Essa faceta pode tirar-lhe discernimento e diminuir-lhe as hipóteses de aproveitamento quando tem de finalizar e empurrar a bola para a baliza?

-Não. A mim, como avançado, compete-me fazer golos, não? Mas se posso trabalhar para a equipa e ajudá-la defensivamente, cortando, por exemplo, uma bola e impedindo o adversário de entrar no nosso meio-campo, estou presente. E depois, se estou cansado ou não, tenho de ter sempre capacidade para definir no ataque quando surgem as oportunidades de golo.

Hugo Sánchez, antiga glória mexicana que teve um trajeto de sucesso no futebol espanhol, disse que aquilo que faltou a Jiménez em Espanha foi ter um treinador que confiasse plenamente em si. É a tal "confiança" que está a ter agora no Benfica?

-O tempo que estamos estabelecidos num sítio é importante. No Atlético de Madrid talvez não tenha tido tantas oportunidades como gostaria. Foi um ano de adaptação ao futebol europeu, tive poucos minutos, mas aprendi muitas coisas boas com El Cholo [Diego Simeone]. Deu-me algumas oportunidades, se calhar não as aproveitei da melhor maneira. No Benfica, porém, estou a conseguir e a corresponder ao que as pessoas esperam de mim. Sinto-me bem.

Tem cinco golos na Liga, tantos como na última edição. Discutir o título de máximo goleador da prova é um objetivo pessoal?

-Seja a nível individual ou num contexto coletivo, um avançado quer estar sempre entre os melhores. Estou um pouquinho atrás, mas espero continuar a somar golos e, se conseguir ser o melhor, isso será bonito e graças em boa parte aos meus colegas. Sei que não é fácil, porque há outros bons jogadores atrás desse objetivo.