"Os rivais do Benfica também não estão a jogar ao seu nível"

"Os rivais do Benfica também não estão a jogar ao seu nível"

ENTREVISTA - Agora no Al-Ahli Jeddah, o ex-Benfica Fejsa admite a O JOGO que há um "problema defensivo para resolver", mas não culpa o meio-campo

Confessando o "nervosismo" que vive ao ver o Benfica jogar, Fejsa, que não esquece o clube, confia no sucesso de Jesus em 2020/21.

A dupla de meio-campo tem motivado muitas críticas esta época. Jorge Jesus espera pela chegada de reforços. Como avalia o rendimento dos médios?
-Não podemos culpar o meio-campo ou outras posições. É tudo um trabalho de equipa. Temos de admitir que não está a ser uma época fácil quanto às exibições, mas o Benfica está no segundo lugar a dois pontos da liderança. Estou certo de que a equipa vai melhorar, mas há que ver que os outros rivais também não estão a jogar ao seu nível, não é só o Benfica que tem problemas de desempenho.

Faz falta um Fejsa ao meio-campo do Benfica? Um médio com maior capacidade defensiva?
-Fejsa só há um [risos]. O meio-campo do Benfica foi escolhido pelo treinador e tem jogadores de qualidade, ninguém pode dizer o contrário. Estou certo que o tipo de jogadores do plantel está ligado à estratégia decidida.

Poderia dar uma importante ajuda ainda à equipa?
-Prefiro não responder, pois não sou jogador do Benfica.

Jorge Jesus conversou consigo sobre a saída do Benfica? O que lhe disse?
-Não falámos sobre isso.

Jorge Jesus tem Samaris e Weigl para médios-defensivos, mas colocou Gabriel a jogar na posição. Que leitura faz da opção?
-É uma opção de Jorge Jesus e não posso comentar pois não vejo os treinos nem estou a par da estratégia que ele pretende implementar na equipa.

Essa lacuna explica os muitos golos que o Benfica está a sofrer?
-É verdade que o Benfica está a sofrer muitos golos e há um problema defensivo da equipa que tem de ser resolvido. Mas não podemos culpar só o meio-campo. O comportamento defensivo é um trabalho de equipa, que precisa de melhorar, e acredito que Jorge Jesus está a trabalhar nisso.

Pelo que tem visto, este Benfica que gastou 100 milhões de euros em reforços, deveria estar já a arrasar a concorrência?
-Esse valor não foi gasto apenas num jogador. Há vários jogadores que chegaram este ano e que precisam de tempo para se adaptarem. Ser jogador do Benfica é estar sujeito a teste a cada dia e os adeptos esperam um rendimento imediato quer tenhas sido contratado por um milhão ou por 50. É a pressão de envergar a camisola do Benfica.

Acredita que o Benfica vai ser campeão esta época?
-Acredito sempre. Agora sou um adepto e vejo os jogos ainda com mais nervosismo do que quando jogava no Benfica [risos]. Claro que o Benfica pode ser campeão, a equipa vai ter de lutar muito, como sempre. Já vimos coisas boas da equipa esta época e os jogadores vão ter de pegar nisso como motivação para atingirem outro nível, porque são capazes disso. E acredito que vão chegar mais jogadores para dar mais força à equipa na segunda metade da época.

Ainda se recorda do primeiro título que ganhou pelo Benfica?
-Claro, lembro-me como se fosse hoje. É difícil explicar por palavras. Tinha vencido títulos por Partizan e Olympiacos, que têm adeptos fantásticos, mas o que vivi naquele dia nunca me tinha acontecido antes. Ver o Marquês de Pombal cheio de adeptos é outro nível e que não vejo em qualquer parte do Mundo.

Conquistou dez títulos de campeão seguidos até o FC Porto lhe quebrar esse registo em 2017/18. Como se sentiu nesse momento?
-Fiquei muito desapontado. Mas nessa altura tínhamos um grupo muito forte e pouco depois estávamos já a ganhar força para voltar a vencer... E foi o que fizemos.
O Benfica poderia ter sido pentacampeão nessa época. O que faltou? Investimento?

Houve relaxamento da equipa?
-Mesmo hoje é difícil explicar. Falhámos e houve uma equipa que foi melhor. Acredito que demos o máximo.

Sentiu que a rivalidade dos benfiquistas era mais com o FC Porto ou com o Sporting?
-Para mim era o mesmo. Um dérbi é sempre um dérbi e nos balneários sentimos sempre isso.