Operação "e-toupeira": os detidos, os arguidos e as 30 buscas

Operação "e-toupeira": os detidos, os arguidos e as 30 buscas

Manhã de terça-feira ficou marcada pela detenção de Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, e de um técnico informático, funcionário judicial, por suspeitas de corrupção ativa e passiva.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve esta terça-feira o assessor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves e um técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça (IGFEJ), por suspeitas de corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal.

Em comunicado, a PJ referiu que, na operação "e-toupeira", foram realizadas trinta buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de "relevantes elementos probatórios".

Nesta investigação, iniciada há quase meio ano pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, averigua-se "o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários".

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) informou no seu site que o inquérito está relacionado com "a prática de acessos por funcionários a diversos inquéritos em segredo de justiça para obtenção de informação sobre diligências em curso, informações que eram depois transmitidas ao assessor da administração de uma sociedade anónima desportiva a troco de vantagens".

Estão a ser investigados crimes de corrupção passiva e ativa, violação do segredo de justiça, favorecimento pessoal e cibercrime.

Segundo a PGDL, foram cumpridos seis mandados de buscas domiciliárias, um de busca a gabinete de advogado e 21 mandados de buscas não domiciliárias na presença de um juiz de instrução criminal, dois procuradores-adjuntos, inspetores da PJ e peritos informáticos. Os dois detidos vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial.

O ex-observador de primeira categoria Júlio Loureiro, já implicado no caso dos emails, e o empresário de futebol Óscar Cruz também terão sido constituídos arguidos.

Paulo Gonçalves já tinha sido constituído arguido a 19 de outubro, no caso dos emails e na sequência de buscas da Polícia Judiciária ao Benfica. Desde maio que o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, tem acusado o Benfica de influenciar o setor da arbitragem e apresentou alegadas mensagens de correio eletrónico de responsáveis encarnados, nomeadamente de Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira.