"Não havia dinheiro para Playstation ou computador, mas tínhamos comida na mesa"

"Não havia dinheiro para Playstation ou computador, mas tínhamos comida na mesa"
Francisco Sebe

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Em entrevista a um jornal holandês, Bruno Varela recorda uma infância difícil e a gratidão aos pais.

Bruno Varela deixou o clube onde se formou - o Benfica - no início de 2019, quando rumou ao Ajax por empréstimo das águias. No último verão, a cedência foi renovada e o guarda-redes português continua à procura de conquistar espaço no clube campeão da Holanda.

Em entrevista ao jornal De Telegraaf, o jogador de 25 anos recordou a infância, nem sempre fácil, e sublinhou o sentimento de gratidão que nutre pelos pais, que "nunca falharam em colocar comida na mesa" da família.

"A minha infância não foi fácil, assim como as dos meus irmãos, porque os meus pais eram pobres. A minha mãe fazia limpezas e o meu pai era trabalhava nas obras. Mas colocavam comida na mesa todos os dias. É por isso que os amo e respeito tanto. Não havia dinheiro para Playstation ou computador e, por isso, passávamos a maior parte do tempo na rua, depois da escola. A bola era a minha melhor amiga", relata Varela, que não era fã de ir à baliza:

"Como qualquer miúdo, queria marcar golos. Quem queria ir à baliza? As bolas eram más e os remates eram fortes. Um dia, antes de ir para o Benfica, o meu treinador perguntou se queria ir à baliza, porque o guarda-redes tinha faltado ao treino, e eu disse que sim. Depois, viram que tinha talento e pediram-me para continuar", acrescentou o guardião, antes de finalizar.

"A minha mãe comprava-me luvas que, agora, seriam baratas. Mas para ela eram caras e, por isso, tinham um valor inestimável para mim", rematou Bruno Varela.