Jorge Jesus revela episódio com Júlio César e diz: "Deixámos um legado no Brasil"

Jorge Jesus revela episódio com Júlio César e diz: "Deixámos um legado no Brasil"

O Estádio da Luz, em Lisboa, recebe esta terça-feira e amanhã, quarta-feira, a primeira edição do Global Football Management, dois dias dedicados ao "Futuro da gestão humanizada do Futebol", com a participação de vários oradores dedicados a discutir os desafios atuais e futuro da modalidade, assim como as mudanças regulamentares esperadas.

Júlio César: "O Júlio [César] trabalhou comigo aqui no Benfica. Já que estamos a falar do futebol brasileiro, queria confidenciar um episódio meu e do Júlio. O Júlio, antes de eu chegar ao Brasil, como vocês sabem, ele foi jogador do Flamengo, os adeptos do Flamengo têm uma admiração muito grande por ele, e ele abriu-me o caminho, porque eu sei que ele falou com os três capitães do Flamengo antes de eu chegar ao Brasil, explicando-lhes como eu era além do treino dentro do campo. Se eles não me "aceitassem", não percebessem que a minha forma de liderar o grupo é com paixão, entusiasmo e às vezes um bocadinho exagerado naquilo que eu acho que é fundamental, podia-se entrar em choque de ideias. Quando eu cheguei, todos os jogadores já sabiam, já não se admiraram se eu dava ou não dava gritos. Eu soube isso porque depois tanto o Diego Alves como o Diego Ribas me confidenciaram."

Futebol mais lento no Brasil? Jogador brasileiro tem mais tempo para pensar? "Curiosamente, a primeira equipa que me convidou para treinar no Brasil foi o Vasco da Gama, a segunda foi o Atlético Mineiro e a terceira é que foi o Flamengo. Aquilo que nós tentámos, como equipa técnica... Porque eu via os jogos do futebol brasileiro, O jogador brasileiro, quando tem a bola em posse, para ele, ter um, dois, três jogadores, é igual, ele sabe conviver com a bola. É uma coisa incrível. Foram habituados, na formação, ao convívio com a bola, que é sempre mais importante que os outros aspetos do jogo. Tentei modificar os outros pormenores do jogo, a velocidade de execução que eles têm, pôr na velocidade do jogo. O conhecimento do jogo, pôr pelo talento deles, e isso fez com que a velocidade de jogo que nós implantámos no Brasil, sentimos que era importante transportar isso para o jogo. Havia qualidade dos jogadores. Vocês ouvem os comentadores dizerem que o jogo se parte. No futebol os jogos não se partem. Os jogos são 90 e tal minutos, o que se parte são as equipas. As equipas é que se partem taticamente. As equipas partiam-se muito, havia pouco rigor tático e nós tentámos passar essa ideia à equipa, que tinha de jogar mais ligada, mais próxima, sem muito espaço, conseguimos fazer com que o jogo fosse mais rápido. Agora é verdade que, principalmente em Portugal, o jogo muitas das vezes torna-se mais difícil pela qualidade tática dos treinadores portugueses. Os treinadores portugueses, claro que não são todos, mas são muito evoluídos defensivamente, em anular a capacidade do adversário. Faz parte do jogo. Aqui na Europa alguns jogadores notam que aqui têm menos espaço, menos tempo para pensar, exatamente porque a qualidade tática é introduzida e faz com que o jogador tenha essa facilidade. Mas já não é tanto assim. Nós deixámos um legado nas equipas brasileiras."