Benfica perdeu aos 92 minutos no Dragão e Vieira deu um papel a Luisão

Benfica perdeu aos 92 minutos no Dragão e Vieira deu um papel a Luisão
Pedro Miguel Azevedo

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Antigo capitão do Benfica, agora dirigente, falou sobre liderança numa conferência promovida pela revista Exame.

Luisão falou esta quinta-feira numa conferência sobre liderança promovida pela revista Exame e, acompanhado da esposa, Brenda Mattar, o antigo capitão do Benfica recordou o papel que lhe foi dado por Luís Filipe Vieira no início da época que se seguiu à derrota das águias em casa do rival FC Porto, com um golo de Kelvin aos 90+2'.

"Perdemos e no regresso [época seguinte], o presidente entregou-me o chamado 'papel do tetra'. 'Se conseguires colocar estas quatro palavras no balneário vamos ser campeões', disse-me. Coloquei esse papel em frente à cama e lá passou a época toda. Disse para mim próprio que o ia devolver no fim da época e fomos campeões. Estava cumprido o objetivo", afiançou o brasileiro, agora na estrutura diretiva do clube da Luz.

Sobre o papel de capitão, Luisão explica o que mudou com o passar dos anos:

"Passei por duas etapas diferentes, primeiro como capitão dos mais experientes e depois como capitão dos mais jovens. Pensei se devia manter a mesma postura. Decidi que com os mais jovens tinha de ter um comportamento diferente, focar-me mais na disciplina, nas pequenas tarefas. Não admitia entrar no Seixal e ver que não cumprimentavam a senhora que lá estava ou que não levantassem o prato da mesa. Os jovens erravam nessas tarefas. Isso pode mudar a filosofia de um clube", referiu, prosseguindo:

"Se o capitão for leal, os jogadores percebem que não vale a pena torcerem o nariz. O primeiro interesse é o Benfica e é preciso passar por cima dos egos. Antes de tomar uma decisão, tinha de saber se teria o direito de cobrar aos colegas. O capitão trabalha no limite do 'leva e traz'. Procurei sempre lidar com carinho. Dentro de campo podia discutir, mas lá fora abraçava o companheiro", rematou.