Advogado de Rui Pinto fala de ameaças de morte: "Ele ficou enojado com o que foi descobrindo"

Advogado de Rui Pinto fala de ameaças de morte: "Ele ficou enojado com o que foi descobrindo"

William Bourdon, o advogado de vários dos casos de denunciantes e que está a defender Rui Pinto, foi entrevistado pelo Diário de Notícias

"Consideramos que existem razões fortes para que o pedido de extradição seja rejeitado. É um mandado europeu, e sabemos que as margens de manobra não são muitas. Mas há a jurisprudência. Há outras decisões anteriores. Por exemplo, Hervé Falciani, que eu defendi nos Swiss Leaks - ele foi ilibado de todas as acusações incluindo a intrusão em computadores alheios. E ele não foi extraditado de Espanha para a Suíça", diz William Bourdon. Entrevistado pelo Diário de Notícias , o advogado - estrela dos casos de denunciantes - que está a defender Rui Pinto fala do risco da uma extradição para Portugal do alegado hacker dos emails do Benfica. "Será extremamente paradoxal enviar Rui Pinto para Portugal ao mesmo tempo que ele está em ativa cooperação com o procurador financeiro de França, e em perspetiva de trabalhar com o procurador suíço. Rui Pinto concordou em colaborar. Extraditá-lo seria impedir esta colaboração", afirmou ao jornal.

"Todos consideram que o denunciante, se ele providencia serviços que são do interesse público, os seus interesses devem ser protegidos. E há um equilíbrio que é preciso fazer entre a importância judicial e os seus benefícios para o consumidor europeu, para o pagante de impostos. Este equilíbrio tem de ser considerado, tendo em conta a realidade das ofensas criminais. O facto de a ofensa ser menor - hacking - e eu repito que a ofensa de extorsão é firmemente negada pelo meu cliente, e será demonstrada sem dificuldades a sua inocência", disse também Bourdon.

Colocado perante o desejo da Polícia Judiciária pretender recuperar os computadores com todo o material de Rui Pinto para ser investigado em Portugal, o advogado foi peremtório na resposta: "É absolutamente impossível. Há um princípio judicial que é muito importante: o da especialidade. Quer dizer que as provas só podem ser recolhidas por Portugal se tiverem ligação com a queixa que levou à detenção". Perante a insistência do DN - "Isso quer dizer que a polícia não pode recolher mais provas do que as que dizem respeito ao caso Doyen?", William Bourdon concluiu: "Este não é um inquérito português. É um pedido de extradição - e isso pode implicar alguma recolha de provas. Mas por isso esses documentos só podem ser usados por Portugal se são precisamente, e sem sombra de dúvida, ligados a queixas que estão na base do mandado. [O caso Doyen?] Isso mesmo..."

"Eu não tenho acesso ao caso em Portugal, mas parece que há dois casos ligados ao Doyen. E isto não se pode espalhar a outras histórias. Senão será ilegal", esclareceu o conhecido advogado ligado à defesa de denunciantes famosos como, por exemplo, Julian Assange e Eduard Snowden.

Na mesma entrevista ao DN, Bourdon refere-se ainda a ameaças de morte: "Ele tem provas de que tem recebido ameaças de morte. E muitas pessoas do undergound tentaram identificá-lo. E capturá-lo e atentar contra a sua integridade. Ele tem noção disso, sim", disse sobre Rui Pinto que define como "um rapaz esperto, gentil. Muito humanista e simples. Ele era apoiante do FC Porto. E ficou enojado e revoltado com o que foi descobrindo."

Explicando que a defesa do alegado hacker está a ser paga pela "The Signal Network" - "a mim não, porque sou membro da administração" -, William Bourdon explicou ainda que a atitude de Rui Pinto "foi a consequência da arrogância que existe neste mundo do futebol, que sente que pode continuar a atuar em completa impunidade."