"Este rombo tem de ser compensado"

"Este rombo tem de ser compensado"
Vítor Rodrigues

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João Braz Frade, antigo vice-presidente e mentor do movimento "Benfica bem maior" aborda a eliminação da Champions e aponta à mudança de estratégia

Surpreendido com a derrota ante o PAOK, Braz Frade acredita que a equipa vale mais e o treinador não teve tempo para a preparar. Agora há pelo menos 37 milhões para recuperar e as vendas serão o caminho a seguir.

Que impacto tem a derrota do Benfica ante o PAOK?

-Para o Benfica, é péssimo, estamos bastante desapontados. Vamos à Liga Europa, mas ninguém pensava que fosse possível perder com o PAOK. Agora, o que interessa é recuperar rapidamente, já em Famalicão, apoiar a equipa e o treinador. Já há gente suficiente a dizer mal do Benfica, alguns até o fazem quando o Benfica ganha. Não entro nisso, embora não tenha gostado da exibição da equipa, em particular na segunda parte.

Ser afastado do grande objetivo não preocupa?

- A Champions acabou, mas a vida continua e o Benfica tem mais objetivos este ano e tem de se concentrar agora neles: o campeonato, a Liga Europa e as Taças nacionais. E tem um objetivo principal que sustentará todos estes, que é um grupo grande de jogadores, com muitas aquisições, alguns internacionais e de renome, juntarem-se e formarem uma equipa. Compreendo que a equipa não estivesse a top, porque tem cinco semanas de treino e alguns jogadores nem isso, alguns até vinham de lesões. Agora é dar-lhes motivação e esperar que os jogadores tenham um empenho ao nível do sacrifício que o Benfica faz para os manter na equipa. Não é admissível que não haja um empenho enorme dos jogadores.

O Benfica gastou o que nunca tinha gasto para estar na Champions e reforçou-se com jogadores de renome...

-Em termos brutos, o Benfica já gastou 80 milhões de euros. O que aconteceu de diferente foi que o Benfica ainda não vendeu. O mercado tem estado complicado, mas penso que o clube não ficará com um plantel tão longo como está e irá equilibrar a balança com os passes de jogadores que entretanto deverá negociar. O investimento líquido será sempre grande, da perda de ganhos futuros ninguém nos livra e o Benfica vai ter de encontrar formas, e tenho a certeza de que encontrará, de compensar isto, porque ainda tem muitos ativos. Pela análise que o nosso grupo fez e daquilo que conhecemos, a Direção tem as condições e os meios, no curto prazo, para ultrapassar os problemas que aparecerem e a falta de receitas. As receitas operacionais de cada clube vão diminuir, todos sabemos disso, daí que os clubes sejam obrigados a procurar outras formas de receitas, porque o estigma da covid-19 não se resolve de um dia para o outro. Há um rombo de 40 milhões que tem de ser compensado e acho que o será, mas causa maior pressão pelo rácio do fair play financeiro da UEFA.

Terá de haver uma mudança de estratégia da SAD?

-Estou convencido de que pode haver necessidade de um ajustamento na estratégia, mas, no essencial, o Benfica tinha de construir uma nova equipa, contratou jogadores para esse efeito, mas porventura não contratará mais, talvez não se justifique fora de um quadro de Liga dos Campeões. Apesar de tudo, este Benfica vale muito mais do que aquilo que demonstrou ontem, aquilo está muito abaixo daquilo que podem dar este treinador e este plantel. O treinador está a trabalhar há cinco semanas, não teve tempo de preparar melhor a equipa.

A eliminação da Champions terá influência na corrida eleitoral?

-Tudo tem influência nos atos eleitorais, mas grande parte dos benfiquistas já terá decidido o sentido de voto e haverá uma parte de indecisos, e é nesta franja que haverá influência. Nestas alturas em que o Benfica perde é que temos de ir à luta, ninguém gosta, se calhar eu não gostei da exibição de A, B ou C, mas o Benfica não acaba com uma derrota com o PAOK. Foi um momento muito infeliz, que furou os planos que a Direção tinha, mas espero que nenhum dos candidatos queira que o Benfica perca. Eu quero sempre que o Benfica ganhe, comigo não há dúvidas, esteja lá quem estiver.

Coloca em risco a eventual reeleição de Luís Filipe Vieira?

-Não faço previsões eleitorais. Ajudo quem estiver. Para mim, o Benfica está acima de tudo. Todos nós devemos orientar o nosso comportamento eleitoral, pelo menos é o que tentamos fazer no nosso grupo, pelo interesse do Benfica e não pelo nosso interesse pessoal. Por isso mesmo, no nosso grupo nem somos candidatos, podemos trabalhar com qualquer lista ou com a Direção. Se fosse candidato, eu quereria ganhar com o Benfica a ganhar. Não faz sentido, depois de uma derrota, vir com declarações piedosas.