Darwin e os seis hectares para a mãe: "Quando não havia comida dava-nos a dela"

Darwin e os seis hectares para a mãe: "Quando não havia comida dava-nos a dela"
Redação

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Declarações do avançado do Benfica numa entrevista à UEFA.

Crescer em Artigas: "Bem, Artigas é a minha cidade natal, é onde nasci. É uma cidade que estará sempre no meu coração. Tive de deixá-la - e à minha família também - quando ainda jovem porque o meu sonho era ser jogador de futebol. Mas lembro-me que quando tocava a campainha para a saída na escola a primeira coisa que eu fazia era pegar numa bola e correr para o campo para jogar com os meus colegas. Ainda hoje, quando volto a Artigas, digo sempre que tenho muitos sítios bonitos para visitar nas minhas férias, mas prefiro estar com os meus amigos e familiares, porque me traz muitas recordações. Falamos sobre quando éramos crianças e isso enche-me de energia positiva."

Humildade: "Quando era mais novo o que mais queria era pegar numa bola e ir jogar, e tive sempre muito apoio por parte dos meus avós e dos meus pais, que me levavam aos treinos. O meu pai trabalhava na construção civil e passava oito ou nove horas a trabalhar durante o dia. A minha mãe trabalhava de manhã como empregada doméstica. Desde criança que sonhava chegar onde estou hoje e agradeço a Deus por isso. É um privilégio estar agora aqui, num grande clube europeu como o Benfica. Agradeço de todo o coração à minha família por sempre me ter apoiado. No fundo, ainda sou a mesma criança. Não mudei, nem nunca vou mudar. Ainda sou o mesmo Darwin desde criança: sempre humilde e com os pés no chão."

Primeiros pontapés na bola: "Sim, foram momentos maravilhosos. Lembro-me que a primeira vez que chutei uma bola foi no campo do Piratas [Juniors FC], onde jogava o meu irmão mais velho. Ele foi uma pessoa-chave para mim quando eu era mais novo, sempre me ajudou. Ele também chegou a ser futebolista profissional, no [Club Atlético] Peñarol, mas parou de jogar devido a problemas familiares, embora tivesse muita habilidade. Para mim, é meu irmão, meu amigo e sempre me apoiou. Ser-lhe-ei grato para sempre."

Casa para os pais: "Amo os meus pais por tudo que fizeram por mim quando era criança. Sempre que não havia comida suficiente a minha mãe dava-nos a dela e eu dizia sempre que quando me tornasse futebolista profissional, com dinheiro suficiente para comprar uma casa, lhe daria uma como presente. E assim que me transferi para o Almería foi o que fiz: comprei seis hectares de terra e dei-lhe."

Ídolo: "Cavani. Ele tem uma estrutura física parecida comigo e somos muito semelhantes a vários níveis. Estava sempre a ver vídeos dele no YouTube. É verdade que geralmente não assistia aos jogos dele, mas via como se movimentava no YouTube, as suas diagonais. E também observei muito o [Luis] Suárez. Seguia-os com especial atenção porque são do Uruguai e são também humildes. A formação deles é parecida com a minha."

Primeiro treino com Cavani: "Lembro-me que quando vivia em Montevideu e jogava pelas camadas jovens do Peñarol vi o autocarro da selecção passar junto a nós e pensar: 'Quero estar ali um dia, ao lado do Suárez e do Cavani'. Por isso, na primeira vez que treinei com a selecção estava muito nervoso, com medo de que as coisas não me saíssem bem. Mas estava feliz, não conseguia acreditar que estava ao lado do Suárez e do Cavani. Senti uma felicidade plena e pensei na minha família e em tudo o que tinha passado para ali chegar. Lembrei-me de quando era criança e sonhava com aquele momento."