"Bruno Lage também era a pessoa mais brincalhona que podíamos ter"

"Bruno Lage também era a pessoa mais brincalhona que podíamos ter"
Pedro Miguel Azevedo

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Lucas João, atacante do Sheffield Wednesday, lembra o tempo em que foi treinado pelo então adjunto de Carlos Carvalhal e apresenta uma explicação para o aumento da produção ofensiva.

De 2015 a 2017, Bruno Lage foi o técnico adjunto de Carlos Carvalhal no Sheffield Wednesday, do Championship inglês. Aí, ganhou "bagagem" para o desafio à frente do Benfica onde está a um ponto de ser campeão nacional. O JOGO falou com Lucas João, avançado que trabalhou às ordens de Lage e que explica parte do sucesso do técnico das águias.

Viu uma grande evolução em Bruno Lage desde o Sheffield Wednesday?

- Sim e isso vê-se pelos resultados que conseguiu, está à vista. Para quem chegou ao Benfica na situação em que a equipa estava e a colocou no que está hoje, ele tem de ter mérito. No Sheffield era adjunto e, por isso, não expressava muito as suas ideias como agora enquanto treinador principal. O que tem acontecido no Benfica não é obra do acaso.

O que o distinguia?

-Acima de tudo, a entrega em campo. Nos exercícios de treino era muito sério mas, depois do trabalho, era também a pessoa mais brincalhona que podíamos ter, ele define muito bem o que é trabalho e o que é brincadeira. O míster tinha exercícios de finalização programados e executados com ele, pois gostou muito de trabalhar connosco, os avançados.

Concorda com quem diz que chegar ao nível de José Mourinho?

-Se continuar assim, claro que sim. O Benfica está bem no campeonato, chegou longe na Europa e, se Bruno Lage juntar títulos a isso tudo, não vejo impedimentos a que chegue longe. Pelo que tem feito e como está o mercado, os grandes clubes podem ir buscá-lo: ele chegou, mostrou-se e impôs-se.

Vê-o treinar um dos "tubarões" ingleses? Em qual encaixaria melhor?

-Em equipas que queiram trabalhar, com jogadores trabalhadores e capazes de seguir as suas ideias... Bruno Lage já disse que, se os mais velhos quiserem trabalhar, também fica mais fácil para os mais novos os acompanharem.

A recuperação do Benfica é mérito de Bruno Lage?

-Sim, pois conseguiu puxar pelos jogadores e fazê-los acatar as suas ideias.

Mas também houve algum demérito do FC Porto...

-Perderam algumas peças importantes por lesão numa fase em que a equipa estava com boa dinâmica. Mas o FC Porto facilitou nalguns momentos e o Benfica aproveitou. O triunfo no Dragão foi meio caminho andado para garantir o primeiro lugar.

Como tem visto o futebol português à distância?

-O Sporting está um pouco atrás devido aos acontecimentos que viveu, mas está a estabilizar e vai dar a volta. Já o Braga, é uma equipa atrevida, com bons jogadores e bons treinadores que, com um pouco mais de sorte, pode ser um candidato ao título no futuro.

Acredita que voltará a jogar na seleção portuguesa?

-Um jogador trabalha para representar o seu país e não sou exceção. Farei por um dia voltar lá.

Está arrependido por não ter escolhido Angola?

-Não me arrependo de representar o país onde nasci. Estamos a falar da seleção campeã da Europa e todos querem jogar entre os melhores, daí ter optado por Portugal. Não há nenhum arrependimento.