Benitez pretende mais alterações para as eleições do Benfica

Benitez pretende mais alterações para as eleições do Benfica
Pedro Miguel Azevedo

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Voto físico e garantia de debate com Rui Costa ainda não são suficientes para o candidato, que exige novas regras

Após a maratona vivida na Assembleia Geral Extraordinária do Benfica na noite de sexta-feira e que se prolongou para a madrugada de sábado, o movimento "Servir o Benfica", que pedira a realização da reunião magna, entende que apesar de tudo foi dado um passo em frente quanto à criação do novo Regulamento Eleitoral (RE) das águias.

Já do lado da Direção demissionária, sabe O JOGO, há também disponibilidade para, numa reunião prevista para segunda-feira entre o presidente da Mesa da Assembleia Geral [MAG], António Pires de Andrade, o candidato assumido Francisco Benitez e, eventualmente, Rui Costa, se limarem arestas, com o líder demissionário a pretender facilitar uma solução conjunta para o documento que venha a pacificar o universo benfiquista. Para já, a garantia da utilização do voto físico e a implícita aceitação da existência de debates nos canais do clube, nomeadamente na BTV, dois dos pontos que o "Servir o Benfica" exigia, satisfizeram Francisco Benitez, mas... não chega.

"As únicas coisas assumidas ontem [anteontem, na sexta-feira] foi a existência de votos físicos e debates abertos na BTV, que são dois pontos muito importantes, mas há mais", frisa a O JOGO Francisco Benitez. Por garantir ficam, na visão do candidato, outros pontos exigidos: que seja feita a contagem dos votos imediatamente após serem encerradas as urnas, o acesso aos cadernos eleitorais, a identificação dos associados com o cartão de sócio e um documento oficial e a utilização do voto eletrónico apenas para quem resida fora de Portugal continental. Este último ponto, ainda que sujeito a confirmação formal, também deverá estar, apurou o nosso jornal, garantido.

"Já enviámos um email a pedir o seu agendamento, para ver quais os pontos da nossa proposta que vão ser aprovados e quais os pontos que eles dizem que terão de ser limados. Aceitamos que se possam limar alguns pontos mas nunca nos afastaremos dos mesmos", garante, alertando, no entanto, que o tempo é curto e, mesmo bem aproveitado, pode deixar em risco as eleições. "Dia 24 teremos uma AG [para apreciar e votar as contas de 2020/21] e o presidente da MAG pode colocar o RE na agenda. Mas se for aprovado as eleições deviam ser adiadas porque terá de ser criada uma comissão 30 dias antes das mesmas. No limite, e se isso não acontecer, nós ou alguém poderá impugnar o resultado eleitoral", explicou Benitez, admitindo sair da corrida. "Se os seis pontos que propusemos não forem cumpridos não iremos a jogo, não vamos participar numa farsa", diz.

Pires de Andrade e Moniz alvos de críticas

Da recente AGE ficou, também, desagrado sobre a atuação de António Pires de Andrade. "Foi triste um presidente da MAG ter ali toda assembleia a pedir-lhe para votar aquele regulamento e ir contra tudo e contra todos, prestando um mau serviço ao Benfica. Foi pena ter ali alguém que devia representar os sócios, e não mostrar-se contra eles, para, no fundo, proteger aquele grupo que está há muitos anos no Benfica, um grupo cheio de vícios e de esquemas. Este presidente da MAG é apenas a correia de transmissão desse grupo", atira Benitez.

Já o movimento "Servir o Benfica" acusou em comunicado Pires de Andrade de não ter "qualquer competência para o cargo que ocupa", sendo "prepotente e arrogante" numa AG "que inquinou com a sua parcialidade". Também o "vice" demissionário José Eduardo Moniz foi acusado de tentar "manipular de forma tão ostensiva quanto anti-democrática o desenrolar dos trabalhos, numa função que não é de todo a sua", o que dizem que "não pode nem deve voltar a suceder".