Antigo "vice" rejeita "canal de influência" no Benfica para reestruturar dívida da Promovalor

Antigo "vice" rejeita "canal de influência" no Benfica para reestruturar dívida da Promovalor
Redação com Lusa

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Empresa de Nuno Gaioso Ribeiro comprou créditos ao Novo Banco devidos pela Promovalor, empresa do presidente do Benfica.

O gestor da C2 Capital Partners e ex-vice-presidente do Benfica Nuno Gaioso Ribeiro rejeitou esta terça-feira a existência de um "canal de influência" no clube para reestruturar a dívida da Promovalor, empresa do presidente benfiquista Luís Filipe Vieira.

"Quando o senhor deputado diz ou insinua que continua a haver e que existia um canal de influência, isso é absolutamente falso e insultuoso para a minha parte. O senhor deputado não pode imaginar que pessoas que integram a direção do Benfica, não remuneradamente, mantendo uma vida profissional" passam a "violar os seus deveres profissionais", respondeu Nuno Gaioso Ribeiro ao deputado do PS João Paulo Correia na comissão de inquérito ao Novo Banco.

A empresa de Nuno Gaioso Ribeiro, antigo vice-presidente do Benfica, comprou créditos ao Novo Banco devidos pela Promovalor, empresa do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, mas o gestor da C2 Capital Partners apelidou de "conversa de café" a possibilidade de existir qualquer conflito de interesses.

"Se o senhor deputado me pergunta se o facto de o devedor nos conhecer pode ter sido importante para o devedor e isso pode ter dado tranquilidade ao devedor sermos nós a gerir os ativos, a minha resposta é sim", disse Nuno Gaioso Ribeiro, num dos momentos mais tensos da audição de hoje.

João Paulo Correia, coordenador do PS na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, já tinha referido a coincidência na direção do Benfica entre ambos os intervenientes.

"Não é comprável para nenhum cidadão que a escolha da sociedade gestora que o senhor Nuno Gaioso preside para gerir este fundo onde estão ativos problemáticos da Promovalor não tenha surgido de uma relação de confiança entre o devedor e o doutor Nuno Gaioso", disse.

"Um devedor, do meu ponto de vista, mantém um canal de influência sobre a sociedade gestora do fundo que gere os seus ativos e os seus interesses. Acho que isto é indisfarçável, inegável até", disse o socialista, comentando que muitas das dúvidas prendem-se sobre se a escolha da C2 Capital Partners "foi ou não um tratamento de favor à situação da Promovalor".

Nuno Gaioso Ribeiro respondeu que, antes do fundo para a reestruturação dos créditos da Promovalor, o Novo Banco já trabalhava com a C2 Capital Partners em dois fundos, acrescentando que "todas as operações de reestruturação feitas neste país por fundos de reestruturação pressupuseram a confiança do devedor e do credor".

Para Nuno Gaioso Ribeiro, "achar que essa escolha resulta de uma influência, é dizer que houve uma influência na decisão do Novo Banco", esclarecendo que a relação de confiança que teve com a Promovalor é semelhante à que tem com 360 investidores e com 28 sociedades participadas.

O gestor disse que o facto de ter participado nos órgãos sociais do Benfica e da Benfica SAD, nos quais coincidiu com Luís Filipe Vieira durante oito anos, não faz com que passe a violar "os deveres profissionais", "de sigilo" ou as regras que determinam a sua "carteira profissional" e "idoneidade acionista e de gestão relativamente ao regulador ou a qualquer entidade".

Anteriormente, o deputado do PCP Duarte Alves já tinha questionado Nuno Gaioso Ribeiro acerca da coincidência na direção do clube desportivo e se "ou no Benfica ou na operação" de constituição do fundo tinha sido levantada a questão de conflito de interesses.

"Nunca foi porque não há nenhum cenário ou condição em que se possa verificar algum dos requisitos do conflito de interesses", respondeu o gestor.

Na sua intervenção inicial, Nuno Gaioso Ribeiro já tinha dito que "os interesses da sociedade eram e são em absoluto convergentes, estão totalmente alinhados, com os dos investidores: gerir o fundo no melhor interesse destes e recuperar capital seguindo o plano contratual estabelecido".

Com a constituição do Fundo de Investimento Alternativo Especializado, que comprou as dívidas da Promovalor ao Novo Banco em novembro de 2017, "foram adquiridos ao Novo Banco 133,9 milhões de euros de créditos e foram, ainda, reestruturados pelo Novo Banco (isto é, mantiveram-se no balanço do banco) financiamentos existentes de 85,8 milhões de euros, perfazendo a operação o montante total de 219,7 milhões de euros".

"O Novo Banco ficou, exatamente, com 95,89% do capital total subscrito do fundo que é de 146,1 milhões de euros", disse Nuno Gaioso Ribeiro aos deputados.