"Quando chegou Schmidt, deu-me três semanas. É um homem muito bom"

Seferovic tem boas recordações de Roger Schmidt

 foto André Luís Freitas/Global Images

Seferovic conversou com o treinador alemão antes de sair e elogia-o porque "faz a equipa feliz" e quando algo não está bem diz "na cara".

O dianteiro diz que "faltou paciência com Bruno Lage", quando foi despedido em 2019/20.

Foi treinado por Rui Vitória, Bruno Lage, Nélson Veríssimo, Jorge Jesus e alguns dias por Schmidt. Que diferenças têm?
-Todos tinham uma ideia de jogo diferente. A de Bruno Lage, para mim, era a melhor e eu sentia-me bem com o seu estilo de jogo. Também aprendi muito com Jorge Jesus, até porque é um treinador com muitos anos de futebol. Rui Vitória era uma pessoa direta, mas tinha uma ideia de jogo que não era adequada para mim. O melhor futebol que jogámos durante os meus cinco anos foi com Bruno Lage.

Faltou alguma paciência com Bruno Lage no Benfica? Foi campeão e na época seguinte as coisas não correram bem e saiu...
-Faltou paciência, sim. E se as coisas corressem um pouco melhor teria ficado muito mais tempo aí. Mas a vida é assim, o futebol é assim, e tudo muda muito depressa.

O Benfica está agora bem servido com Roger Schmidt?
-Sem dúvida. Já tinha visto quando estava na Alemanha que dava preferência a um futebol de ataque, mas sobretudo como homem é muito bom. Senti isso logo nas primeiras conversas que tive com ele. Na pandemia, não tivemos férias durante três anos, depois tive a seleção. Quando voltei, eu e o Jan [Vertonghen] sentimos que o corpo estava morto, o que ajuda a explicar os problemas físicos que tive. Quando chegou Schmidt, deu-me três semanas. É um treinador que entende o futebol atual, como funciona e é um homem muito bom, com quem se pode falar sempre sobre tudo.

O que mudou no Benfica para agora estar à frente dos rivais diretos?
-Quando conversei a primeira vez com o míster Schmidt, percebi imediatamente que tipo de pessoa é. Muito tranquilo, percebe muito bem o que os jogadores precisam. Jogamos muitos jogos de três em três dias, quando é assim precisamos de um dia de folga e ele faz isso. Sabe fazer a equipa feliz, ele é 50 por cento do sucesso. Falo muitas vezes com Ody [Vlachodimos], com Rafa, e sei que, por exemplo, tiveram agora uma semana livre durante a pausa para os jogos das seleções. Todos os jogadores estão sempre a treinar e passam pouco tempo em casa com a família e ficam felizes com esta decisão do treinador. Por outro lado, quando alguma coisa não está bem, quando não estás a fazer o que é necessário, ele vai dizer-te isso mesmo na cara, olhos nos olhos, e isso também é bom. Além disso, treina bem e tem uma mentalidade de jogo ofensiva. Há quem prefira esperar, esperar e depois atacar, ele consegue que a equipa defenda bem mas a atacar. Mudou muito com ele.

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