Jorge Mattamouros aponta conflito de interesses a Soares de Oliveira

Domingos Soares de Oliveira

 foto Pedro Rocha/Global Imagens

Sócio do Benfica e acionista da SAD, o advogado escreve carta aberta ao co-CEO e à CMVM a pedir esclarecimentos adicionais sobre os processos da centralização dos direitos televisivos e da auditoria forense.

O advogado e sócio do Benfica Jorge Mattamouros desafia Domingos Soares de Oliveira, atual co-CEO da SAD encarnada a prestar "informações complementares" quanto ao que considera ser um "(aparente) conflito de interesses" em que o dirigente "se encontra". Numa carta aberta enviada a Soares de Oliveira e à CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) a que O JOGO teve acesso, Mattamouros aponta exemplos do que defende serem conflitos de interesses nomeadamente quanto à centralização dos direitos televisivos - lembrando o facto de o responsável ser administrador da Benfica, SAD e também da Liga Centralização, entidade da Liga que visa essa negociação - e ao processo Cartão Vermelho, que deu origem também no Benfica a uma auditoria forense.

Na sequência do empréstimo obrigacionista lançado esta semana pela sociedade benfiquista, Jorge Mattamouros considera que o prospeto omite estes conflitos de interesse, riscos para a SAD. Recordando que esta, no documento, aponta que, quanto ao seu conhecimento, "não existem conflitos de interesses potenciais entre as obrigações de qualquer uma das pessoas que integram os órgãos de administração e de fiscalização do Emitente e os seus interesses privados ou outras obrigações", Jorge Mattamouros defende: "A informação aos investidores no excerto transcrito não cumpre estas exigências no que se refere à sua pessoa, por entender que o senhor está em situação de conflito de interesses que deve ser explicada ao mercado e sanada."

Em relação à centralização dos direitos televisivos, o advogado, que escreve a Soares de Oliveira "na qualidade de acionista" da SAD e também de "subscritor de obrigações" do empréstimo relativo ao período 2022-2025, na qual a sociedade procura obter 40 milhões de euros, atira: "Como é que o senhor, na qualidade de CEO, está em condições de maximizar a "capacidade negocial da Benfica SAD face às entidades a quem sejam cedidos os direitos de exploração" televisivos, ao mesmo tempo que o senhor é administrador e "coordena" os trabalhos da Liga Centralização, precisamente a entidade que tem como objeto comercializar e explorar esses direitos televisivos em nome e no interesse de todos os clubes, incluindo os rivais do Benfica?"

Abordando as investigações no âmbito do processo Cartão Vermelho e a auditoria forense pedida pelo Benfica aos contratos na mira do Ministério Público, Mattamouros atira: "Admito que as conclusões do trabalho em curso não identifiquem conduta reprovável do administrador Domingos Soares de Oliveira. Mas para proteção de todos os intervenientes, em particular o interesse do Benfica, o administrador objeto da auditoria não pode ser também parte da equipa executiva que acompanha ou supervisiona os trabalhos."