"Sheffield Wednesday e Aston Villa? Quero é que o Aves fique na I Liga"

"Sheffield Wednesday e Aston Villa? Quero é que o Aves fique na I Liga"
João Maia

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O francês Quentin Beunardeau é o dono da baliza de uma equipa que só sofreu um golo nos últimos cinco jogos e que é a menos batida fora de casa na segunda volta. Em entrevista a O JOGO, analisa o momento do Aves, fala sobre a experiência em Portugal e até ri pelo meio. A não perder.

Chegou a Portugal quase como um desconhecido, vindo do Metz (França), mas Beunardeau está a dar nas vistas no ano de estreia na I Liga. Ida para a baliza é uma "história maluca" da infância de um guardião que tem sido difícil bater nos últimos tempos.

Quando é que decidiu ser guarda-redes?

- Quando eu tinha uns nove ou dez anos não gostava de correr e também não me passavam muito a bola. Ora, se eu não gosto muito de correr, pensei "vou tentar a baliza". O meu pai não queria que eu fosse guarda-redes, mas um treinador do Le Mans disse para ele me deixar ir à baliza pois via que eu tinha qualidade.

Como é que o Aves o convenceu a vir para Portugal?

- Olhei para o convite do Aves como uma oportunidade excelente para poder jogar na I Liga, pois este é um dos grandes campeonatos da Europa. Aqui sei que se fizer um bom jogo ganho visibilidade.

Em Vila das Aves depara-se com a missão de substituir o Quim. É pesada a herança?

- Não, de todo. Ninguém me colocou pressão, sei que tenho qualidade e que depende de mim mostrar o meu potencial. Além disso, o Quim foi excelente comigo quando cheguei ao Aves. É uma grande pessoa, foi um guarda-redes de topo e falou-me muito sobre este clube.

Recentemente, falou-se no interesse de Sheffield Wednesday e Aston Villa. Tem contrato até 2021, mas vê-se a deixar o Aves no próximo defeso?

- O meu agente não me disse nada. Estou concentrado em fazer um grande fim de campeonato de modo a que o Aves fique na I Liga. Tenho mais dois anos de contrato, estou muito feliz, mas o futebol pode mudar rapidamente.

O que mudou com a chegada de Augusto Inácio?

- É um treinador que incute grande disciplina tática. Mudou um pouco a mentalidade dos jogadores pois nos últimos cinco jogos só sofremos um golo e antes sofríamos muitos golos. Acho que todos mudaram a mentalidade.

A iminente continuidade de Inácio é uma boa notícia?

- Claro, é um treinador que ganhou a Taça da Liga com o Moreirense, que foi campeão com o Sporting e que pode fazer grandes coisas no Aves.

O facto de ser o guarda-redes menos batido fora de casa na segunda volta tem muito que ver com a mudança de 4x3x3 para 3x4x3?

- Sim, porque a nossa equipa agora é muito sólida, é como um bloco e para o adversário é muito difícil fazer um remate ou um cruzamento.

Tem tido menos trabalho neste sistema?

- Um guarda-redes deve estar sempre concentrado. Quando estão sempre a rematar é tranquilo pois estás sempre em alerta, agora quando rematam pouco não sabes quando é que vais ser testado. Tenho menos trabalho do que antes, mas isso é mérito de todos e o facto de sofrermos poucos golos aumenta a confiança de todos.

Em França têm noção deste registo do Beunardeau?

- Em França não falam muito do campeonato português mas eu vou dizendo que tenho sofrido poucos golos aos meus amigos e à minha família e eles ficam contentes.

Julga que o Aves pode surpreender o Sporting e fechar praticamente as contas da permanência?

- Esse é o nosso objetivo. No ano passado, sei que o clube ganhou a Taça de Portugal frente ao Sporting e agora devemos tentar fazer igual.

O Bruno Fernandes é o melhor marcador do Sporting e é perito em golos fora da área. Tem treinado a defesa de remates de meia distância durante esta semana?

- No treino, preparamos tudo. Sim, temos trabalhado os remates fora da grande de área, sei que ele remata muito bem e o segredo é estar muito concentrado para defender. Estamos na presença de um grande jogador, que é internacional português, de maneira que tenho de estar sempre focado e atento.