Afonso Figueiredo deixa Aves: "Difícil arranjar palavras para descrever esta época"

Afonso Figueiredo deixa Aves: "Difícil arranjar palavras para descrever esta época"
Redação com Lusa

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Capitão abandona Aves, mas não explica porque deixa o clube antes de 2022

O defesa Afonso Figueiredo despediu-se do Aves, sem justificar os motivos para a quebra do vínculo extensível até junho de 2022, anunciou o ex-futebolista do emblema despromovido à II Liga.

"Difícil, muito difícil arranjar palavras para descrever toda esta época. A nossa aventura foi curta, mas de uma intensidade gigante. Obrigado a todos os avenses que desde o primeiro dia me fizeram sentir em casa. Saio de consciência tranquila e fiz sempre de tudo pelo melhor do clube", lê-se numa nota publicada pelo jogador nas redes sociais.

Afonso Figueiredo, de 27 anos, chegou à Vila das Aves há um ano, oriundo do Rio Ave, tendo cumprido 22 encontros pelo emblema do concelho de Santo Tirso, que terminou a I Liga na 18.ª e última posição, com 17 pontos, outros tantos abaixo da zona de salvação, e aguarda pela certificação da inscrição nos campeonatos profissionais.

"Que orgulho tive em poder ser capitão deste clube feita de gente de trabalho, genuína e com uma paixão enorme. Nunca me irei esquecer de vocês, vou guardar todas as recordações boas que aqui tive para sempre e, aconteça o que acontecer, serei sempre mais um a torcer pelo sucesso do Desportivo das Aves", acrescenta.

A administração do chinês Wei Zhao acumula três meses seguidos de salários em atraso, responsáveis por 10 rescisões unilaterais de atletas no decurso da I Liga, apesar de o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol ter arquivado dois processos associados às dívidas entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020 e de março a abril.

"Um agradecimento a todos os meus colegas e treinador que, com dificuldades inexplicáveis, tudo fizeram para acabar a época a favor da verdade desportiva e pelo respeito ao clube, bem como a todos aqueles que não conseguiram acabar a época", termina o lateral esquerdo formado entre Sporting, Belenenses e Sporting de Braga.

A SAD solicitou na sexta-feira a adesão a um Processo Especial de Revitalização (PER) junto do Tribunal da Comarca de Santo Tirso, de forma a negociar com os 32 credores a reestruturação de todas as dívidas num único plano de pagamento, tendo em vista a apresentação dos requisitos para licenciamento exigidos pela Liga de clubes.

A administração ameaçou faltar aos últimos dois jogos do campeonato, antes de assistir na semana passada à rebocagem dos dois autocarros, ao arresto de outros bens e às buscas da Polícia Judiciária no estádio e nas habitações de Wei Zhao e Estrela Costa, presidente da SAD e acionista da empresa gestora dos nortenhos, respetivamente.

Os anseios da SAD tropeçaram no empenho do clube presidido pelo recém-eleito António Freitas, que desembolsou quase 50 mil euros para desbloquear a apólice de seguro de acidentes de trabalho e outras despesas logísticas inerentes à organização da receção ao Benfica (0-4, no dia 21) e da visita ao Portimonense (0-2, no domingo).

Em 21 de julho, a direção apresentou uma ação judicial no Tribunal da Comarca de Santo Tirso, a requerer a destituição dos órgãos sociais da SAD do Desportivo das Aves.