Portão do estádio fechado com cadeado: Arouca responde à autarquia e assina "os 'ditos' dirigentes"

Portão do estádio fechado com cadeado: Arouca responde à autarquia e assina "os 'ditos' dirigentes"

Arouca reage com "indignação" a acusação da autarquia sobre utilização de estádio

O Arouca defendeu-se da acusação feita pela Câmara Municipal, que responsabiliza o emblema de ter impedido a utilização do parque de estacionamento do estádio para a Feira das Colheitas.

O clube considerou que o município "não pode impor a utilização" do estádio "sem o mínimo de diálogo ou concertação" com o seu "inquilino", e que o objetivo inicial da autarquia era "a realização de um concerto", "sem assegurar a vigilância e segurança do recinto e permitindo o acesso a casas de banho e demais instalações".

"O Arouca, atempadamente e de boa-fé, comunicou que a cedência daquele espaço não seria possível, por razões de segurança e planeamento dos treinos e jogos de preparação para a participação na I Liga. Sendo que o estádio apenas poderá ser utilizado pelo município para a realização de eventos desportivos, culturais ou lúdicos, não compatível com a utilização como parque de estacionamento", pode ler-se na nota.

O clube alegou ainda ter tentado obter apoio camarário nos investimentos necessários para o estádio impostos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Instituto Português do Desporto e Juventude (IPJD) e UEFA, "tendo obtido sempre resposta negativa".

"Acabando o clube, nos últimos dois anos, por ter de realizar obras orçadas em mais de 100 000 euros, escudando-se o município nos termos do contrato de cessão. Ora, o contrato de cessão do estádio gera obrigações para ambas as partes e o município, tendo-se obrigado a cumpri-lo, não pode impor e dispor do mesmo conforme é da sua conveniência, esquecendo-se que não tem o poder de disposição do estádio, estando o mesmo arrendado", vincou.

Ao início da tarde, o município expôs que foi "obrigado a chamar a GNR ao estádio municipal, que é sua propriedade e em plena posse dos seus direitos, para cortar os cadeados que impediam o acesso ao parque de estacionamento", acusando os "dirigentes" de concretizarem "a ameaça feita" caso "o município não levasse a cabo um conjunto de obras reivindicadas pelo clube".

"Os ditos dirigentes do Arouca, informados em 10 de agosto pelo município da intenção de utilização do estádio no âmbito da Feira das Colheitas (parque de estacionamento e envolvente), haviam-se mostrado desde logo indisponíveis para cumprir o estipulado no contrato", refere o comunicado da autarquia.

Além disso, a Câmara Municipal de Arouca referiu que no contrato de cedência do estádio o clube está "obrigado a apoiar na organização de eventos da iniciativa do município" e que "tem o direito, enquanto proprietária do equipamento", de o utilizar "desde que a utilização não conflitue com os compromissos assumidos pelo clube no âmbito das competições desportivas", argumentando que este fim de semana não há jogos nas ligas profissionais devido à paragem para seleções.

COMUNICADO

Foi com elevada surpresa e indignação que a Futebol Clube de Arouca, SDUQ Lda tomou conhecimento do teor do comunicado efetuado hoje mesmo, pelo Município de Arouca, porquanto o mesmo distorce voluntariamente os factos ali relatados como faz considerações e imputações ofensivas da idoneidade e consideração dos dirigentes do F.C. Arouca.

Somos assim, contra a nossa vontade, obrigados a vir a público esclarecer a verdade dos factos.

1 - As partes - F.C. AROUCA SDUQ Lda e o Município de Arouca - celebraram um contrato com vista ao direito de utilização estádio municipal e suas partes integrantes, onde se inclui a zona do parque de estacionamento.

2 - Em contrapartida, pagamos um valor de renda pela referida utilização.

3- Tal contrato encontra-se em vigor e as nossas obrigações estão todas em dia.

4 - Assim, o Município cedeu a utilização do Estádio Municipal ao Futebol Clube de Arouca, e, ao contrário do referido no malogrado Comunicado, apesar do Município ser proprietário do mesmo, não está na plena posse dos direitos de proprietário, estando o mesmo onerado com o direito de utilização ao Clube (FCA, SUDQ Lda.).

5- Tal não obsta a que o Município o utilize para a realização de eventos culturais, lúdicos e desportivos, nos termos e condições definidos no contrato de cedência.

6 - Não pode é o Município impor a sua utilização sem o mínimo de diálogo ou concertação com o seu "inquilino", sendo que estamos num Estado de direito democrático onde todos os direitos, liberdades e garantias têm obrigatoriamente de ser respeitados.

7 - O Município limitou-se a comunicar ao FC Arouca, que iria realizar um concerto nas instalações do Estádio, sem assegurar a vigilância e segurança do recinto, e permitindo o acesso a casas de banho e demais instalações.

8 - O Arouca atempadamente e de boa fé comunicou ao Município, que a cedência daquele espaço não seria possível, por razões que se prendem com a segurança e com o planeamento dos treinos e jogos de preparação com vista à nossa participação na competição de natureza profissional da Liga Portugal.

9 - Estranhamos a ausência de qualquer comunicado do Município quanto à alteração do local do evento, mas sempre certos que o bom senso fosse imperar.

10 - Contudo, na véspera do jogo da FC Arouca com o Vitória de Guimarães, e sem aviso prévio, deslocaram-se ao estádio uma empresa para montar o palco do concerto, tendo o clube de imediato demonstrado a sua preocupação, com questões de segurança, nomeadamente com o perigo que a sua instalação poderia representar com a receção aos adeptos visitantes e durante o jogo.

11 - Felizmente, a empresa em causa reconheceu a validade das nossas preocupações e recusou-se a montar o palco naquele local, na véspera de um jogo de risco elevado.

12 - Mais uma vez, reiteramos junto do Município que a utilização do Estádio para o concerto iria perturbar os normais treinos e planeamentos da equipa de futebol profissional, tanto mais que tem um jogo de preparação agendado no seu estádio.

13 - Após incessantes insistências conseguimos uma reunião com alguns representantes do Município, lamentando, todavia, que a nossa Excelsa Presidenta não tenha estado presente, porquanto certamente, face à consideração que a mesma tem pelo nosso Clube de futebol e pelos seus dirigentes, esta situação certamente não teria acontecido.

14 - Nessa reunião expusemos de forma inequívoca e clara, sempre de boa fé, as razões que não nos permitiam autorizar a realização do evento no Estádio.

15 - Tendo ficado convencidos que o Município reconhecia os transtornos e nefastas consequências do evento para os trabalhos e planeamento do clube.

16 - Posteriormente, tomámos conhecimento da alteração do local do concerto, o que veio renovar a nossa fé no bom senso dos nossos autarcas.

17 - Sucede que, voltámos a ser surpreendidos com a imposição autoritária do Município na pretensão de utilização do parque de estacionamento do estádio, ignorando as preocupações e necessidades já demonstradas do clube, e os termos do contrato de cedência do Estádio.

18 - Sendo que o mesmo apenas poderá ser utilizado pelo Município para a realização de eventos desportivos, culturais ou lúdicos, não compatível com a utilização como parque de estacionamento, bem como ignorando as perturbações e conflitos que essa utilização tem nos treinos e jogos já agendados.

19 - Temos os nossos autarcas como pessoas de bem, que cumprem a lei e as obrigações assumidas nos contratos, e, desde sempre, defendemos a necessidade das forças vivas da região trabalharem em conjunto de forma a enaltecer esta nossa nobre Vila e região.

20 - Daí termos por diversas vezes tentando obter o apoio do Município nos investimentos e benfeitorias que se têm revelado necessários no Estádio Municipal (impostas pela Liga Portugal, IPDJ e UEFA), tendo obtido sempre resposta negativa.

21 - Acabando o Clube, nos últimos dois anos, por ter, só por si, de realizar obras orçadas em mais de € 100.000,00, escudando-se o Município nos termos do contrato de cessão.

22 - Ora, o contrato de cessão do Estádio gera obrigações para ambas as partes, e o Município tendo-se obrigado a cumpri-lo, não pode impor e dispor do mesmo conforme é da sua conveniência, esquecendo-se que não tem o poder de disposição do Estádio, estando o mesmo "arrendado"...

Quanto às considerações acerca da idoneidade e respeitabilidade da atitude dos dirigentes do Futebol Clube de Arouca, somos do entendimento que tais comentários despropositados, descabidos e contrários à opinião da grande maioria dos Arouquenses, diz mais sobre o quem os faz do que sobre quem eles são feitos.

Aliás, o FC Arouca é hoje um clube respeitado nacional e internacionalmente pelo seu trajeto ímpar nas competições de futebol profissional, que muito tem trazido à nossa Vila, muito devido aos seus dirigentes e à gestão criteriosa que vem sendo feita, com os parcos recursos que dispõe e sem qualquer apoio do Município.

Sendo pessoas de bem, respeitadas e respeitadoras da lei, não sendo nenhuns malfeitores do Município ou do erário público.

Perante o exposto, reiteramos a nossa indignação pelas atitudes narcisistas, pedantes e autoritárias do Município, que culminaram no Comunicado ao qual somos obrigados a responder, sendo certo que bastaria um pouco de espírito democrático e bom senso para que toda esta situação fosse evitada.

Por fim, aproveitamos para desejar a todos os Arouquenses que desfrutem da Feira das Colheitas da melhor forma possível.

Os "ditos" Dirigentes"