"Falou-se no Arouca por arrasto e não pelo mérito", lamenta Armando Evangelista

"Falou-se no Arouca por arrasto e não pelo mérito", lamenta Armando Evangelista
Cláudia Oliveira

Tópicos

ENTREVISTA >> O treinador subiu o Arouca à I Liga (a segunda vez na história do clube) depois de eliminar o Rio Ave no play-off. Considera que o trabalho dos seus jogadores fizeram ao longo da época foi pouco valorizado

Armando Evangelista teve uma semana para preparar dois jogos do play-offo com o Rio Ave e assume que o 3-0 da primeira mão trouxe pressão acrescida, mas todos souberam lidar com ela.

É a primeira subida à I Liga. A que sabe esta conquista?

-Acima de tudo sabe a muita responsabilidade, não sendo o principal objetivo do clube esta época, havia a responsabilidade de representar bem o Arouca, porque a história recente do clube dá essa responsabilidade. Há quatro anos, o Arouca estava na Liga Europa e, no ano passado, estava no Campeonato de Portugal. No fim, claro, foi um peso que saiu de cima. Neste último jogo, depois da vantagem da primeira mão, tinha a noção que qualquer coisa que acontecesse que não fosse a subida ia resultar num sentimento de insucesso que, quanto a mim, não correspondia à verdade, mas no futebol é assim que se veem as coisas. Tínhamos a responsabilidade de subir, depois da vantagem de 3-0.

Essa vantagem deu pressão maior à equipa para a segunda mão?

-Exatamente. Mas, convém dizer, pressão essa que toda a gente soube lidar. Esse trabalho de lidar com a pressão, a confiança, o saber acreditar, foi feito ao longo da época. Nesse aspeto, fizemos todos um trabalho fantástico. Chegar a um jogo destes e estar preocupados, numa semana, em motivar ou passar confiança é quase irreal, é um trabalho que tem de ser feito desde o início. Nessa semana fizemos ver aos jogadores os cenários que podiam acontecer, mas a confiança estava lá. Não vi nenhum comportamento diferente, nesse semana, nos meus jogadores.

Nas últimas jornadas foi dizendo que ninguém deu muita atenção ao Arouca. Porque acha que isso aconteceu?

-Não sei. Não sei se é o Arouca que é pouco apelativo em termos comerciais, não sei se o Arouca paga a fatura da sua situação geográfica... foi algo que mexeu um pouco comigo. Não tanto por mim, mas queria que os meus jogadores fossem reconhecidos e lhes dessem o valor pelo que estavam a fazer. Não foi só a reta final, não foram onze jogos bons que fizeram, foi um campeonato muito bom. Vimos, diariamente, a comunicação social a dedicar tempo a três ou quatro clubes de II Liga e às vezes revoltou-me. Era merecido, mas o Arouca também merecia. Tínhamos jogadores que eram perfeitos desconhecidos e fizeram coisas fantásticas, tínhamos jogadores que já estavam acabados para o futebol e fizeram coisas fantásticas.

Só no play-off se viraram os holofotes para o Arouca?

-Nem aí. Focaram-se muito no Rio Ave, no que poderia fazer ou deixar de fazer, no que o Rio Ave, depois do primeiro jogo, não conseguiu fazer, e não valorizaram o que o Arouca fez. Falou-se no Arouca por arrasto e não pelo mérito.
Esta conquista pode também chamar a atenção sobre a sua qualidade como treinador?

-Ia mentir se dissesse que não. Quando deixei de dar aulas para me dedicar ao treino a tempo inteiro, coloquei uma meta a mim mesmo: antes dos 45 anos tenho de estar a treinar na I Liga, se não voltava a concorrer para dar aulas. Isso aconteceu, com o V.Guimarães. Depois encontram-se umas pedras pelo caminho, uns buracos, e há que saber levantar e voltar a dar a volta. Cada vez tenho mais convicção do que sou capaz de fazer.O céu é o limite. Sou ambicioso e acho que vai ser um percurso difícil, tenho conquistado as coisas a pulso, mas tenho a convicção que muito mais está para vir.