Evangelista e o portão fechado com cadeado: "Não foi preciso alterar nada"

Evangelista e o portão fechado com cadeado: "Não foi preciso alterar nada"

Armando Evangelista esteve esta quinta-feira no World Scouting Congress, que decorreu no Porto. O treinador do Arouca foi um dos participantes do painel sobre o tempo útil de jogo, juntamente com Pedro Martins, ex-treinador do Olympiacos, e Tiago Madureira, diretor executivo da Liga Portugal.

Tempo útil de jogo: "Parece-me que o critério do árbitro português quando apita em solo nacional ou nas competições europeias é diferente. A malha, se assim lhe podemos chamar, quando apita lá fora é muito mais larga e aqui é mais estreita. Daí, se calhar o grande número de faltas que temos por jogo em média no nosso campeonato. Talvez seja importante alargar aqui um pouco mais a tal malha, porque não me parece que o jogador português seja mais agressivo. Ou seja, alargando a malha podemos ter a ganhar também com isso."

O que fazer para mudar? "É óbvio que quem está à frente da arbitragem tem mais influência sobre os árbitros. São eles que traçam as diretrizes. Mas os responsáveis do futebol engloba várias entidades e por isso não podemos atirar as responsabilidades para cima dos árbitros, ou para cima dos treinadores, jogadores ou dirigentes. É uma mudança de mentalidade que interessa e deve interessar a todos, pelo que todos os agentes do futebol devem estar envolvidos nesta questão para que possa melhorar."

Uma das questões apontadas no debate foi a diferença de critérios da arbitragem. Que visão tem sobre isso? "São importantes debates com esta riqueza. Só pelo simples facto de se lembrar que existe um problema já estamos a contribuir que a sua resolução seja mais fácil. Mudar mentalidades não é fácil, falar sobre os problemas é um ponto de partida para arranjar soluções para o mesmo. Esta questão do tempo útil é muito pertinente e muito presente no futebol atual. Por isso, é muito importante haver este tipo de debates para que se possa contribuir para a evolução deste desporto que tanto amamos."

Trabalho da Liga: "Há que salvaguardar que a Liga tem tido este cuidado e até a iniciativa para contribuir para a resolução do que todos reconhecemos como um problema, colocando até os treinadores a discutir não só este tema, mas também outros que são importantes e do interesse de todos. É óbvio que todas a entidades têm de ser ouvidas e responsabilizadas pelo que se passa no futebol. Se o queremos melhor, os únicos responsáveis não podem ser os jogadores, os treinadores, os árbitros ou os dirigentes. É uma responsabilidade coletiva e há muita gente envolvida e se todos forem ouvidos o problema pode ser resolvido de uma forma mais célere."

Conflito entre a Câmara e o clube que motivou o fecho dos portões de acesso ao estádio: "Prefiro concentrar-me em questões desportivas e deixar as questões políticas para quem está mais habilitado e informado e noutra posição que não eu para estar a comentar esses aspetos. Questões políticas não é um tema que me seduza e nem quero entrar por aí. O nosso trabalho de ontem foi o normal e não foi preciso alterar nada em função do que aconteceu."

Balanço da época: "Temos oito pontos. Face ao que produzimos, se tivéssemos mais três ou quatro pontos ficaria mais ajustado ao que já conseguimos fazer. A verdade é que estamos numa posição da tabela que acho que é condizente face ao que tínhamos perspetivado."

Objetivo é fazer uma época mais tranquila? "O melhor e mais tranquilo do que o que fizemos na época passada é muito subjetivo. Há objetivos traçados para cada época e do Arouca foi cumprido na íntegra. O FC Porto foi campeão nacional e tinha isso como objetivo, mas também não foi fácil. Na época passada, aliás, um objetivo de uma permanência para o Arouca já era muito ambicioso, mas a verdade é que o conseguimos. Este ano obviamente os objetivos passam pelo mesmo. Se conseguirmos fazer mais pontos do que na época passada já ficamos satisfeitos."