Volodymyr Zelensky: "Se desaparecermos, que Deus nos proteja, então será a Letónia, a Lituânia, a Estónia. Até ao Muro de Berlim..."

Volodymyr Zelensky: "Se desaparecermos, que Deus nos proteja, então será a Letónia, a Lituânia, a Estónia. Até ao Muro de Berlim..."
Lusa

O Presidente ucraniano disse ainda estar pronto para falar diretamente com o Presidente russo, Vladimir Putin, questionando: "O que quer de nós? Deixe a nossa terra!".

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu hoje um reforço do apoio dos países ocidentais, insistindo que a Rússia, se derrotar o seu país, atacará depois o resto da Europa de leste para chegar "ao Muro de Berlim".

"Se desaparecermos, que Deus nos proteja, então será a Letónia, a Lituânia, a Estónia, etc... Até ao Muro de Berlim, acreditem em mim", afirmou Zelensky, acrescentando que o Kremlin pode ter como objetivo reconstruir toda a esfera de influência europeia da URSS.

Pedindo aos ocidentais que imponham uma zona de exclusão aérea no seu país desafiou-os, exclamando: "se não têm força para fechar o céu, então deem-nos aviões!".

O Presidente ucraniano disse ainda estar pronto para falar diretamente com o Presidente russo, Vladimir Putin, questionando: "O que quer de nós? Deixe a nossa terra!".

"Tenho de falar com Putin (...) porque é a única maneira de parar esta guerra", disse. "Temos de falar incondicionalmente, sem rancor, como os homens."

"Sente-se comigo (...) mas não a mais de 30 metros de distância como fez com (Emmanuel) Macron ou (Olaf) Scholz. Sou um tipo normal, não mordo!", afirmou Zelensky, ridicularizando a longa mesa em que o Presidente russo recebe os seus convidados, incluindo o Presidente francês e o chanceler alemão, devido ao protocolo de saúde drástico para o proteger da covid-19.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já levaram mais de um milhão de refugiados para a Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a "operação militar especial" na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.