Pedro Nuno Santos mantém-se em funções: "É uma falha relevante, que assumo"

Pedro Nuno Santos mantém-se em funções: "É uma falha relevante, que assumo"
Lusa

Pedro Nuno Santos mantém-se em funções mas admite "erros de comunicação"

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, assumiu hoje "erros de comunicação" com o Governo nas decisões que envolveram o futuro aeroporto da região de Lisboa, afirmando que "obviamente" se mantém em funções.

O governante lamentou "perante todo o Governo ter tido a falha na articulação com o primeiro-ministro", assumindo que foi "uma falha relevante", mas vai manter-se em funções.

António Costa determinou hoje a revogação do despacho que aponta os concelhos do Montijo e Alcochete como localizações para a nova solução aeroportuária da região de Lisboa, desautorizando o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que na quarta-feira apresentou esta proposta.

"Esta é uma falha relevante, que assumo, mas que, obviamente, não mancha aquele que é o trabalho já longo em conjunto com o senhor primeiro-ministro, ainda antes de sermos Governo", vincou o ministro, numa curta declaração aos jornalistas, sem direito a perguntas, no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa.

O gabinete de Pedro Nuno Santos esclareceu, no final da declaração, que irá proceder à revogação do despacho.

O ministro das Infraestruturas admitiu que se tratou de "um momento infeliz", mas sublinhou a relação institucional e de amizade que mantém com António Costa, que não será "manchada" por esta situação.

Pedro Nuno Santos salientou que, tal como expresso esta manhã pelo gabinete de António Costa, o Governo vai estar concentrado na "procura ativa de consenso com o maior partido da oposição" quanto à localização do novo aeroporto para a região de Lisboa.

"É esse o trabalho em que nós estamos concentrados, lamentando, obviamente, e, nomeadamente, perante todo o Governo, o qual eu integro, nós termos tido, sob a minha responsabilidade, esta falha na articulação e comunicação com o senhor primeiro-ministro e com os restantes colegas do Governo.

Pedro Nuno Santos anunciou, na quarta-feira, que o Governo tinha decidido avançar com uma nova solução aeroportuária para Lisboa, que passa por avançar com o Montijo para estar em atividade no final de 2026 e Alcochete e, quando este estiver operacional, fechar o aeroporto Humberto Delgado.

No entanto, no dia seguinte ao anúncio, o primeiro-ministro, António Costa, determinou a revogação do despacho publicado sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa e reafirmou que quer uma negociação e consenso com a oposição sobre esta matéria.

No início de junho, António Costa tinha dito que esperava pelo novo líder do PSD, Luís Montenegro, para uma decisão sobre o aeroporto, pelo que o anúncio das Infraestruturas apanhou a oposição de surpresa, nas vésperas do seu 40.º Congresso Nacional.

"Neste momento, aguardo que no próximo mês tenhamos um novo líder da oposição para saber se o acordo é Montijo, se é Alcochete, qual é o acordo. Pela minha parte, conheço as 20 boas razões para uma localização, as 20 boas razões para a outra localização e todas as razões para que nenhuma seja boa", declarou o primeiro-ministro na ocasião.

"Portanto, por mim é só decidir e já só tenho um critério: aquilo que a oposição entender é aquilo que fazemos. Não podemos é perder mais tempo relativamente ao novo aeroporto", sublinhou António Costa.

À comunicação social, Pedro Nuno Santos disse que o líder do PSD "pôs-se de fora" da decisão. "Tínhamos de decidir", afirmou.