Numa paixão, nem tudo são rosas

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Jorge Maia

UM LIVRO POR DIA - Febre de Bola, da autoria de Nick Hornby.

Como costuma dizer Álvaro Magalhães, futebol é território de paixão.

Ora, tratando-se de paixão, nem tudo são rosas. Quem não partilha o sentimento imagina que os adeptos vão ao futebol para se divertirem, quando na verdade aquilo é zona de sofrimento.

Ora, Fever Pitch, ou Febre da Bola em português, o primeiro livro de Nick Hornby, é um retrato autobiográfico da relação tortuosa do autor com o futebol ou, para sermos mais e exatos, com o um clube: o Arsenal. No livro, Hornby estabelece uma ligação íntima entre os jogos mais marcantes a que assistiu e a evolução da sua vida pessoal, começando pela forma como a paixão pelo futebol lhe foi transmitida pelo pai e se transformou na principal ligação entre os dois. Hornby torna-se um adepto fervoroso dos gunners, mas a paixão - lembram-se? - significa que fica arrasado de cada vez que o clube perde o que, por sinal, acontecia frequentemente na altura.

De resto, as dificuldades sentidas pelo clube refletem-se como um espelho na vida pessoal do protagonista, acentuando o lado obsessivo da relação. Será um jogo, o triunfo do Arsenal sobre o Tottenham, na semifinal da Taça de Inglaterra de 1987, a desatar esse nó, reconciliando-o definitivamente com o jogo. Fever Pitch venceu o prémio para livro de desporto da William Hill em 1992 e, tal como outros romances do autor, como High Fidelity ou About a Boy, foi adaptado ao cinema em 1997. O cartaz dizia quase tudo: "A vida complica-se quando se ama uma mulher, mas se idolatram onze homens".