Marcelo Rebelo de Sousa sobre morte de Jorge Coelho: "Não posso esconder o choque"

Marcelo Rebelo de Sousa sobre morte de Jorge Coelho: "Não posso esconder o choque"
Redação com Lusa

Presidente da República afirmou que o antigo ministro "teve uma influência muito grande em momentos importantes da vida nacional".

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou esta quarta-feira choque pela notícia da morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista Jorge Coelho e recordou o seu "espírito combativo" considerando que, sem nunca exercer a liderança, influenciou a vida do país.

"Eu não posso esconder o choque do conhecimento desta morte inesperada", declarou o Presidente da República, em declarações em direto para a SIC Notícias.

O chefe de Estado referiu que Jorge Coelho "esteve presente na vida pública portuguesa durante três décadas, em várias qualidades: como governante, como parlamentar, como conselheiro de Estado, como dirigente partidário, como analista político e depois, numa fase mais recente, como gestor empresarial".

O Presidente da República descreveu-o como uma pessoa com "um estilo muito próprio, feito de intuição, de compreensão rápida e antecipação às vezes daquilo que eram as correntes da opinião pública, de perspicácia analítica, de espírito combativo, às vezes polémico, mas também de grande afabilidade, e de abertura de todos os quadrantes e a todo o tipo de realidade que emergia na sociedade portuguesa".

"E teve uma influência muito grande em momentos importantes da vida nacional. Não tendo exercido a liderança partidária, a que sempre fugiu, no entanto, esteve tão próximo dos centros de poderes que de alguma maneira influenciou a vida do país", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou Jorge Coelho "como amigo" e também "enquanto Presidente da República pelo papel que teve na vida política e económica nacional".

Após prestar estas declarações, o Presidente da República fez divulgar uma nota no sítio oficial da Presidência da República na Internet em que lamenta "o dramático falecimento de Jorge Coelho" e refere que "deixou na memória dos portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela tragédia de Entre-os-Rios".

"Desaparece uma das mais destacadas personalidades da vida pública portuguesa nas décadas de 80 e 90 e no início deste século", escreveu o chefe de Estado, recordando Jorge Coelho já "com saudade" e apresentando sinceras condolências à sua família.

Jorge Coelho, natural de Mangualde, no distrito de Viseu, morreu hoje, aos 66 anos, disse à Lusa fonte do PS.

A partir de 1992, com António Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas de 1995.

Nos governos do PS chefiados por Guterres, foi ministro Adjunto, da Administração Interna, da Presidência e do Equipamento Social.

Quando a Ponte Hintze Ribeiro, sobre o rio Douro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, provocando a morte de 59 pessoas, Jorge Coelho, então ministro do Equipamento, demitiu-se de imediato, afirmando que "a culpa não pode morrer solteira".

Nas declarações à SIC-Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu esse gesto de Jorge Coelho: "Num momento difícil, que foi a tragédia de Entre-os-Rios, ele fez aquilo que é muito raro em sociedades democráticas e nomeadamente na sociedade portuguesa: assumiu em plenitude a responsabilidade política e administrativa pelo que se tinha passado, e fê-lo em cima do acontecimento, e sem uma dúvida, sem uma hesitação, sem um subterfúgio".

No seu entender, "isso os portugueses não esquecem, faz parte da memória coletiva, e é um contributo cívico também singular para a democracia portuguesa".