Eleições legislativas: os totais nacionais, a abstenção e a vitória do PS

Eleições legislativas: os totais nacionais, a abstenção e a vitória do PS
Carlos Machado

O PS está em condições de governar apenas com o apoio do Bloco de Esquerda ou do PCP. Apesar de poder dispensar a geringonça, António Costa quer outra.

O PS venceu as eleições legislativas sem maioria absoluta, conseguindo uma votação de 36,65 por cento.

Apesar de ter ficado em condições de governar tendo apenas um aliado - Catarina Martins (BE) mostrou-se disposta a negociar, Jerónimo de Sousa (PCP) nem tanto -, António Costa repetiu no discurso de vitória ter gostado da solução governativa anterior - executivo do PS com acordo global assinado com BE e PCP - e estar disposto a refazê-la, abrindo ainda mais a porta à esquerda: PAN e Livre também poderão participar.

Entre os que tiveram fortes motivos para festejar contaram-se os apoiantes do PAN. O partido dos animais, como é conhecido, cresceu de forma assinalável, passando de um deputado para um grupo parlamentar, já que conseguiu eleger quatro representantes, o que significa a obtenção de um resultado dentro das projeções mais otimistas.

No polo aposto, o da derrota pura e dura, esteve Assunção Cristas, que foi a primeira vítima das escolhas eleitorais dos portugueses. O mau resultado do CDS/PP, que se ficou pelos cinco deputados, levou a líder a anunciar o abandono da liderança do partido.

Mesmo tendo somado um dos piores resultados de sempre, o PSD, que deixa de ter deputados eleitos no Alentejo, terminou a noite num clima menos crispado do que em derrotas anteriores. Perguntado sobre o futuro, Rui Rio foi taxativo ao afirmar que vai assumir o cargo de deputado.

Entre os anteriores parceiros do PS, o Bloco de Esquerda manteve o mesmo número de deputados de 2015, enquanto o PCP baixou de 17 para 12 o número de representantes.

Entre os pequenos partidos, também houve novidades assinaláveis. Na primeira vez que se sujeitaram a sufrágio, o Iniciativa Liberal e o Chega conseguiram eleger um deputado cada. Já batido em eleições anteriores mas estreante no Parlamento estará o Livre, que também ganhou um assento na Assembleia da República.

Abstenção continua a subir

Mau grado todos os apelos feitos nas últimas semanas em vários quadrantes sociais, os portugueses continuam pouco dedicados a ter opinião quando a questão em apreço é votar. A abstenção voltou a subir: desta vez foi de 45,5 a percentagem de portugueses recenseados que não se apresentaram nas urnas para cumprir o dever cívico.

Confira os totais nacionais: