Bolsonaro disse ser resistente à covid-19, médicos arrasam: "Grande fantasia"

Bolsonaro disse ser resistente à covid-19, médicos arrasam: "Grande fantasia"
Redação

Presidente do Brasil considera que, por ter "histórico de atleta", só seria ligeiramente afetado pelo novo coronavírus.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, alegou na terça-feira ser mais resistente ao novo coronavírus devido ao "histórico de atleta" que detém. Quando discursava sobre a necessidade de reabrir as escolas e o comércio no país sul-americano, o líder canarinho proferiu declarações que geraram polémica.

"No meu caso particular, com o meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quanto muito, acometido por uma 'gripezinha', ou resfriadinho'", disse Bolsonaro, numa declaração que foi agora contestada por vários profissionais de saúde.

O jornal "O Globo" quis perceber a validade das afirmações do presidente brasileiro e consultou especialistas em infecciologia, especialidade médica que estuda a Covid-19. "Isso é uma grande fantasia. Primeiro, ele é uma pessoa idosa. O organismo, de forma geral, envelhece. O cabelo envelhece, a pele envelhece e o sistema imunitário também. A resposta aos quadros infecciosos também acabam por ser diferentes, isso sem dúvida. A expressão de um quadro viral como esse pode ser muito mais grave [em Bolsonaro]", afirmou Jean Gorinchteyn, médico do Hospital Emílio Ribas.

NÃO SAIA DE CASA, LEIA O JOGO NO E-PAPER. CUIDE DE SI, CUIDE DE TODOS

"Ele sempre fez atividade física. Corria na praia. Mas, depois da pré-campanha e após ser esfaqueado, não teve mais condição de fazer", conta o senador Major Olímpio: "Se já não faz exercício, é um sedentário", acrescenta.

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, refere que a condição de atleta não garante uma imunidade maior a Bolsonaro:

"O facto de ele ter sido atleta não quer dizer que esteja imune. Eu até acho que uma infeção por coronavírus na faixa etária dele, com as comorbidades que ele teve em função dessa tentativa de homicídio, coloca-o numa faixa de maior vulnerabilidade. Essa é uma hipótese, porque eu não examinei o presidente Bolsonaro", rematou.