Alemanha admite chegar aos 10 milhões de infetados se não se cumprirem ordens

Alemanha admite chegar aos 10 milhões de infetados se não se cumprirem ordens
Lusa

"A pandemia vai acompanhar-nos, provavelmente por dois anos. Não continuadamente, mas em ondas, e as infeções continuarão", enfatizou Lothar Wieler, um dos responsáveis governamentais

O Instituto Robert Koch (RKI) alertou hoje que, se as medidas adotadas pelo Governo e pelos poderes regionais na Alemanha contra o coronavírus não forem executadas, em dois ou três meses poderá haver 10 milhões de infetados no país.

"É essencial que nossas recomendações e medidas governamentais sejam implementadas a todos os níveis, incluindo o comportamento do cidadão privado", disse o presidente do RKI, Lothar Wieler, na conferência diária em que atualiza os números de infeções.

O Instituto Robert Koch (RKI) é um centro governamental de investigação, controlo e prevenção de doenças na Alemanha. Nas últimas 24 horas, o número de infeções registadas aumentou para 8.198, ou seja, 1.042 a mais que na terça-feira.

O número de mortes, de acordo com os dados oficiais mais recentes, permanece em 12, um número relativamente baixo, mas que o RKI admite que "é esperado que suba" nas próximas semanas e meses.

Wieler recusou-se a especificar essas previsões de médio prazo em números, mas insistiu nas consequências de ignorar as recomendações e medidas emitidas.

"A pandemia vai acompanhar-nos, provavelmente por dois anos. Não continuadamente, mas em ondas, e as infeções continuarão", enfatizou.

Até agora, o Governo da chanceler alemã, Angela Merkel, e os responsáveis pelos governos regionais concordaram em fechar parcialmente a vida pública alemã, embora lojas de alimentos, farmácias, bancos e outros estabelecimentos considerados essenciais ainda estejam abertos.

Cabe a cada estado implementar essas medidas, o que ocorre com algumas diferenças em termos de escopo e prazos, uma vez que o nível de infeção entre diferentes regiões também é diferente.

Os mais afetados são a Renânia do Norte-Vestfália, a oeste, e a Baviera e Baden-Württemberg, no sul, onde também foram tomadas as medidas mais severas.

A nível nacional, o Executivo de Merkel ditou a reposição de controlos nas fronteiras com Luxemburgo, Dinamarca, França, Suíça e Polónia, embora permita a passagem de mercadorias e cidadãos que devem movimentar-se por motivos de trabalho. Na terça-feira, o RKI referiu que risco de contágio subiu para "alto".

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

NÃO SAIA DE CASA E LEIA O JOGO EM E-PAPER. CUIDE DE SI, CUIDE DE TODOS