Obras na Misericórdia da Feira detetam problemas imprevistos que alteram projeto

Obras na Misericórdia da Feira detetam problemas imprevistos que alteram projeto
Lusa

A Santa Casa da Misericórdia de Santa Maria da Feira revelou hoje que as obras para requalificação da sua igreja expuseram problemas estruturais imprevistos, o que alterará a sua requalificação em termos de orçamento e prazo de execução.

Em causa está a empreitada que arrancou no final de setembro na Igreja da Misericórdia, que é palco habitual de eventos como o festival de artes de rua Imaginarius e cujo edificado e espólio sacro a Santa Casa se propunha recuperar em 12 meses com recurso ao projeto MISERERE - que, financiado em 85% pelo programa Norte2020, reservava dois milhões de euros para a reabilitação física desse património e para a sua posterior valorização turística.

Os primeiros trabalhos nesse tempo do século XVII expuseram, contudo, o que responsável pela gestão do edificado da Misericórdia da Feira descreveu hoje à Lusa como "estragos muito maiores do que os que se esperava encontrar no local", sobretudo ao nível de "fissuras profundas" nas paredes.

"Ao destapar as coberturas verificámos que as paredes estão muito piores do que pensávamos e isso significa que as obras vão ter que ser muito mais intensas, o que implicará ajustes no tipo de intervenção a realizar, alterações ao orçamento e um prazo diferente para conclusão dos trabalhos", explicou Conceição Alvim.

Essas mudanças devem-se à necessidade de "segurar as paredes com grampos", o que envolve uma "intervenção tecnicamente muito exigente" e irá, por isso, agravar a despesa inicialmente prevista com a empreitada.

Conceição Alvim espera, contudo, que o ajuste "não chegue sequer a 10%" do orçamento inicial e, já para melhor controlo da despesa, anunciou: "Entretanto também vamos suspender as etapas do projeto relativas ao mobiliário, para acudir primeiro ao que é de facto essencial e assegurar contas muito rigorosas".

Para acorrer aos novos gastos, a mesma responsável admite que a Misericórdia da Feira "espera poder contar com a ajuda de alguns mecenas" e lançou ainda um apelo à inscrição de novos associados.

"Em tudo o que fazemos preocupamo-nos com a sustentabilidade e, depois de tudo isto ficar pronto e operacional, precisaremos de ter a quem confiar a missão da Santa Casa", disse Conceição Alvim.

Segundo a responsável, "quem está envolvido no projeto nesta fase já se encontra numa faixa etária muito avançada", sendo preciso "envolver gente mais nova para dar continuidade a este trabalho".