Investigadores portugueses descobrem mecanismo celular na origem de doenças musculares

Investigadores portugueses descobrem mecanismo celular na origem de doenças musculares
Lusa

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) descobriram, numa experiência com ratinhos, o mecanismo celular que pode estar na origem de doenças ou lesões musculares, foi hoje divulgado.

Os resultados da descoberta são descritos em dois estudos distintos, publicados nas revistas Current Biology e Nature Cell Biology.

A descoberta, segundo a equipa de cientistas, pode abrir caminho para tratamentos de doenças musculares ou de lesões provocadas pela prática desportiva intensiva.

Quando o músculo esquelético (tecido muscular unido aos ossos) funciona normalmente e contrai, o núcleo das células musculares está na periferia da célula.

Em caso de doença como distrofia ou miopatia, lesão ou perda de massa muscular (que ocorre com o envelhecimento), o núcleo da célula muscular está no centro da célula.

Os investigadores descobriram que o nível de rigidez do núcleo das células do músculo, que o coordenador da equipa Edgar Gomes compara a uma bola, condiciona os movimentos e a posição desse núcleo nas células.

Se a 'bola' for demasiado mole ou dura, o músculo deixa de funcionar bem: é o que acontece em caso de doença, lesão ou perda de massa muscular.

O "meio-termo" corresponde à "situação normal da célula", significando que o músculo está a funcionar bem, disse à Lusa Edgar Gomes.

"Se conseguirmos controlar a rigidez do núcleo com drogas, com tratamentos, isso poderá corrigir o posicionamento do núcleo e melhorar o funcionamento do músculo, afirmou.

Ao observarem o mecanismo em tecido de músculo produzido a partir de células de ratinhos, os investigadores do iMM descobriram igualmente várias proteínas que ativam a contração do músculo e fazem com que o núcleo das células musculares se posicione na periferia.

De acordo com Edgar Gomes, essas proteínas estão afetadas em doenças ou lesões musculares.

O seu grupo de investigação está agora a estudar, a partir de tais proteínas, potenciais alvos terapêuticos para doenças musculares como as miopatias.