Wall Street fecha em baixa devido a subida taxas de juro e recuo da energia

Wall Street fecha em baixa devido a subida taxas de juro e recuo da energia
Lusa

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em baixa, com os investidores a cederem à forte tensão provocada pelas taxas de juro da dívida norte-americana e pelo recuo dos valores da energia.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o Dow Jones Industrial Average perdeu 0,67% (177,23 pontos), para as 26.439,48 unidades, e o Nasdaq 0,52% (39,27), para as 7.466,51.

O índice alargado S&P500 recuou 0,67% (19,34), para os 2.853,53 pontos.

A subida das taxas de juro "é normalmente negativa para as ações porque se a dívida norte-americana, que é um ativo seguro, propõe rendimentos elevados, isso representa uma concorrência maior no mercado das ações", indicou William Lynch, da Hinsdale Associates.

O rendimento das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos atingiu hoje o ponto mais alto desde abril de 2014, nos 2,694% contra 2,660% na sexta-feira, ou seja "20 pontos-base [0,20 pontos percentuais] acima das expectativas dos analistas" no início do ano, comentou Sam Stovall, da CFRA.

Por seu lado, as taxas a dois anos atingiram durante a sessão o valor de 2,157%, um nível nunca atingido desde 2008.

Já a relativa a 30 anos subiu para os 2,942%, depois dos 2,911% registados no último fim de semana.

"Estes movimentos estão associados a um crescimento, que está a subir, no mundo, e a um início da época dos resultados favorável nos "EUA", comentaram os analistas do Schwab.

A tensão sobre as taxas de juro "pode também sugerir que o mercado obrigacionista espera uma subida da inflação mais rápida que prevista e a uma abordagem mais agressiva do banco central norte-americano às taxas de juro", devido a uma economia que se encontra "em sobreaquecimento", na expressão de Stovall.

Uma nova reunião da instituição na terça e na quarta-feira não deve, contudo, decidir uma nova subida das taxas, com a probabilidade da manutenção quantificada em 95% pelos investidores.

Por outro lado, o recuo dos preços do petróleo provocou uma descida das ações do setor da energia, com o subíndice que as agrupa no S&P500 a recuar 1,55%.

Sinal do sentimento de incerteza que afetou hoje Wall Street, o índice que mede a volatilidade no seio do S&P500 atingiu hoje o máximo desde agosto de 2017.