Responsável regional acusado de ataque com ácido a ativista anticorrupção na Ucrânia

Responsável regional acusado de ataque com ácido a ativista anticorrupção na Ucrânia
Lusa

Um alto responsável regional foi indiciado hoje na Ucrânia por organizar um ataque com ácido que levou à morte da ativista anticorrupção Kateryna Gandziouk, anunciou hoje o procurador-geral.

Vladyslav Manguer, presidente da assembleia regional do município de Kherson, uma cidade do sul da Ucrânia, foi acusado de "organizar o homicídio de Kateryna Gandziouk", indicou o procurador-geral, Yuriy Lutsenko, na sua página da rede social Facebook.

Kateryna Gandziouk, 33 anos, foi atacada no final de julho por um desconhecido que a aspergiu com cerca de um litro de ácido sulfúrico e acabou por morrer dos ferimentos em novembro.

De acordo com um trecho despacho da acusação, publicado pelo procurador-geral e citado pela agência de notícias France-Presse, Vladyslav Manguer sentiu "animosidade pessoal" em relação à vítima que denunciou "extração ilegal de madeira" realizada "sob o disfarce de incêndio criminoso" nesta região.

Vladyslav Manguer era membro do partido político Batkivshchina, da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, um rival do Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, na eleição presidencial de 31 de março.

Kateryna Gandziouk era conselheira do município de Kherson e denunciava a corrupção no seio da polícia regional.

A sua morte brutal e violenta relançou as críticas de militantes da sociedade civil, que acusam as autoridades de não terem concluído o inquérito.

A polícia deteve duas pessoas e colocou outras três em prisão domiciliária na sequência desta agressão, mas não identificou os instigadores do ataque.

Após o ataque de que foi vítima, Kateryna Gandziouk esteve hospitalizada com queimaduras em mais de 30% do corpo, em particular no peito, braços e cara.

A sua morte alertou para uma série de outros ataques na Ucrânia registados os últimos meses contra militantes anticorrupção.